quinta-feira, 28 de abril de 2016
On And On - Drifting
Álbum: And The Wave Has Two Sides (2015)
Música: Drifting
Recomendação: 7/10
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Curtas XXII - Porque não?
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Sade - King of Sorrow
Álbum: Lovers Rock (2001)
Música: King of Sorrow
Recomendação: 4/5
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Amor em Portugal - Miguel Esteves Cardoso

"Mesmo que Dom Pedro não tenha arrancado e comido o coração do carrasco de Dona Inês, Júlio Dantas continua a ter razão: é realmente diferente o amor em Portugal. Basta pensar no incómodo fonético de dizer «Eu amo-o» ou «Eu amo-a». Em Portugal aqueles que amam preferem dizer que estão apaixonados, o que não é a mesma coisa, ou então embaraçam seriamente os eleitos com as versões estrangeiras: «I love you» ou «Je t'aime». As perguntas «Amas-me?» ou «Será que me amas?» estão vedadas pelo bom gosto, senão pelo bom senso. Por isso diz-se antes «Gostas mesmo de mim?», o que também não é a mesma coisa.
O mesmo pudor aflige a palavra amante, a qual, ao contrário do que acontece nas demais línguas indo-europeias, não tem em Portugal o sentido simples e bonito de «aquele que ama, ou é amado». Diz-se que não sei-quem é amante de outro, e entende-se logo, maliciosamente, o biscate por fora, o concubinato indecente, a pouca vergonha, o treco-lareco machista da cervejaria, ou o opróbio galináceo das reuniões de «tupperwares» e de costura.
Amoroso não significa cheio de amor, mas sim qualquer vago conceito a leste de levemente simpático, porreiro, ou giríssimo. Quem disser «a minha amada» — ou, pior ainda, «o meu amado» — arrisca-se a não chegar ao fim da frase, tal o intenso e genuíno gáudio das massas auditoras em alvoroço. Amável nunca quer dizer «capaz de ser amado», e, para cúmulo, utiliza-se quase sempre no pretérito («Você foi muito amável em ter-me convidado para a inauguração da sua Croissanterie»). Finalmente um amor é constantemente aviltado na linguagem coloquial, podendo dizer-se indistintamente de escovas de dentes, contínuos que trazem os cafés a horas, ou casinhas de emigrantes. (O que está a acontecer com o adjectivo querido constitui, igualmente, uma das grandes tragédias da nossa idade.)
Talvez a prática mais lastimavelmente absurda, muito usada na geração dita eleita, seja aquela de chamar amigas às namoradas. Isto porque os portugueses, raça danada para os eufemismos, também têm vergonha das palavras namorado e namorada. Quando as apresentam a terceiros, nunca dizem «Esta é a Suzy, a minha namorada» — dizem sempre «Esta é uma amiga minha, a Suzy», transmitindo a implícita noção, muito cara ao machismo lusitano, de que se trata de uma entre muitas. E, também assim, como se não lhes bastasse dar cabo do Amor, vão contribuindo para o ajavardamento semântico da Amizade.
Isto tudo em público — claro — porque, em particular, a sós, funciona a síndrome plurissecular do «só-nós-dois-é-que-sabemos» e os portugueses tornam-se pinga-amores ao ponto de se lhes aconselhar vivamente a utilização de coleiras de esponja muito grossa. Nisto, o sexo forte é bastante mais vira-casacas que o fraco. Em público, são as amigas, o Guincho, os drinques e as apreciações estritamente boçais do sexo oposto. Dêem-lhes, porém, cinco minutos a sós com a suposta «amiga» e depressa verão todos os índices aceitáveis de pieguice, choraminguice e «love-and-peace» babosa e radicalmente ultrapassados; ao ponto de fazer confundir a Condessa de Segur com Joseph Conrad. As infelizes «amigas» reprimem com louvável estoicismo o enjoo, e aconselham-lhes a moderação. As mais estúpidas não compreendem e vão depois dizer às amigas que os namorados têm feitios muito complexos, porque quando estão acompanhados, são uns brutos do bilhar grande, e quando estão sozinhos transformam-se em donzelas delicodoces, inexplicavelmente ainda mais nauseabundas do que elas.
A retracção épica a que os portugueses se forçam no uso próprio das palavras do amor, quando o contexto é minimamente público, parece atirá-los ilogicamente, para uma confrangedora catarse de lamechices cada vez que se encontram sós com quem amam. Dizer «Eu amo-te» é dizer algo que se faz. Dizer «Eu tenho uma grande paixão por ti» é bastante menos do que isso — é apenas algo que se tem, mais exterior e provisório. Os portugueses, aliás, sempre preferiram a passividade fácil do «ter» à actividade, bastante mais trabalhosa, do «fazer».
A confusão do amar com o gostar, do amor com a paixão, e do afecto, tornam muito difícil a condição do amante em Portugal. Impõe-se rapidamente o esclarecimento de todos estes imbróglios. Que bom que seria poder dizer «Estou apaixonado por ela, mas não a amo», ou «já não gosto de ti, embora continue apaixonado» ou «Apresento-te a minha namorada», ou «Ele é tão amável que não se consegue deixar de amá-lo». Estas distinções fazem parte dos divertimentos sérios das outras culturas e, para podermos divertirmo-nos e fazê-las também, é urgente repor o verbo «amar» em circulação, deixar-mo-nos de tretas, e assim aliviar dramaticamente o peso oneroso que hoje recai sobre a desgraçada e malfadada paixão."
Miguel Esteves Cardoso, "A Causa das Coisas"
Adele - One and Only
Álbum: 21 (2011)
Música: One And Only
Recomendação: 5/5
"You've been on my mind,
I grow fonder every day,
Lose myself in time,
Just thinking of your face,
God only knows why it's taken me so long to let my doubts go,
You're the only one that I want,
I don't know why I'm scared,
I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine,
I dare you to let me be your, your one and only,
Promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
If I've been on your mind,
You hang on every word I say,
Lose yourself in time,
At the mention of my name,
Will I ever know how it feels to hold you close,
And have you tell me whichever road I choose, you'll go?
I don't know why I'm scared,
'Cause I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine
I dare you to let me be your, your one and only,
I promise I'm worth it, mmm,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
I know it ain't easy giving up your heart,
I know it ain't easy giving up your heart,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
So I dare you to let me be your, your one and only,
I promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
Come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts."
terça-feira, 26 de julho de 2011
Ventos de Esperança - Gonçalo Almeida

" Com o passar dos dias, há dois sentimentos que cada vez se afastam mais: a esperança de dias melhores e a força de triunfar. A força de triunfar cada vez cresce mais, as ideias cada vez fervilham mais dentro da cabeça, a cada ideia que se mete de lado surge meia dúzia que a substituem mas por fim, quando toda a poeira assenta e se consegue ver o caminho que se tem pela frente, deparamo-nos com um deserto árido onde só os fortes e poderosos conseguem sobreviver e viver, neste mundo do faz de conta, onde os ricos fazem-se de pobres e onde os pobres são obrigados a fazer de ricos.
Aproveito o sossego da noite, sento-me sobre esta pedra, entre os dedos seguro uma folha de papel de 160x82 mm, ao mesmo tempo que admiro este jogo do “mata mata” que decorre mesmo à minha frente e que dizima milhares…tudo por uma folha de papel que nem chega a ser uma folha A4 mas cujo valor para muitos chega a ser superior à própria vida! Olho novamente para esta, olho em frente, para todos aqueles cuja ganância os deixou deitados para toda a eternidade, olho para esta terra infértil! Levanto-me, sinto a brisa do ar quente a querer queimar-me a pele, reflicto e inspiro este ar saturado, deixo que esta brisa quente e saturada faça com que esta folha de papel se escape por entre os dedos…deixo-a ir com esperança que não dizime ninguém…viro as costas a estes deserto, olho-o sobre o ombro pela última vez e penso: “ Hoje sou um covarde por não ter coragem de te atravessar mas prometo um dia voltar aqui e seguir em direcção contrária! Prometo voltar sem ganância mas com mais ambição!
-Nós vamos conseguir!
(esta é a minha de "carta de amor")"
Gonçalo Almeida
Foto: Miguel Oliveira
domingo, 24 de julho de 2011
Erros Meus, Má fortuna, Amor Ardente - Luís de Camões
“Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das coisas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!”
Myomi - Sun In My Eyes
Álbum: ... (2007)
Música: Sun in my eyes
Recomendação: 4/5
sábado, 25 de junho de 2011
O fim?
A Languidez do Desejo

sexta-feira, 24 de junho de 2011
Curtas XXI - A Fraqueza
Beyonce - Speechless
Álbum: Dangerously in Love (2003)
Música: Speechless
Recomendação: 5/5
O puzzle que a vida nos reserva
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Curtas XX - A banalidade dos homens
Quando me Amei de Verdade - Kim McMillen

compreendi que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia,
meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que
estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a
minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é
ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável ... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa
que me pusesse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, Abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo
o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no
presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é.... SABER VIVER ! "
Kim McMillen, "Quando me Amei de Verdade"
Foto: Paulo Nogueira
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Freud - Evitar o sofrimento
"Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Porque é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer."
Sigmund Freud, "As Palavras de Freud"
Chris Brown feat Benny Benassi - Beautiful People
Álbum: Spaceship (2011)
Música: Beautiful People
Recomendação: 4/5
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Radiohead - Weird Fishes/Arpeggi
Álbum: In Rainbows (2007)
Música: Weird Fishes/Arpeggi
Recomendação: 5/5
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A pequenez humana - Eduardo Sá
“A racionalidade, por vezes, engana. Sugere que não há nada que nos assuste porque, no fundo, tudo será mais ou menos acessível ao nosso entendimento. Mas, com sabedoria, a vida vai envolvendo a racionalidade num enorme «volto já!», e faz com que a nossa capacidade de entendimento não impeça que nos tornaremos profundamente desconhecidos de nós próprios.
Ao contrário do que um crescimento sem grandes sobressaltos e sem surpresas chocantes, trazidas pela Natureza nos faz acreditar, a vida mostra-nos, todos os dias, que somos pequeninos. Não controlamos o nosso corpo como, quando ignoramos os seus sinais, somos levados a imaginar. Nem somos «o exemplo» em que transformamos todas as histórias em que participámos, como, quando as contamos, se faz crer. Seria bom que nos lembrássemos, muitas vezes, de que, tirando as pessoas que nos são essenciais, a Natureza não perde o sono se ficar sem nós.
A racionalidade sugere que não há nada que nos assuste porque, no fundo, tudo será mais ou menos acessível ao nosso entendimento. E, no entanto, somos pequeninos diante da morte. Talvez se nos lembrássemos dela mais vezes não precisássemos de destruir os outros, desqualificando-os, iludindo a nossa pequenez, todos os dias.
Eu acho este «se eu não gostar de mim, quem é que gosta?», que se foi tornando banal, só é possível porque fomos crescendo num mundo com poucas catástrofes naturais à nossa porta, poucas guerras à nossa porta, poucas guerras ao pé de nós, e com a presença mais ou menos constante dos nossos pais durante a nossa infância. Um mundo que nos trouxe a ilusão de, à escala da Natureza, sermos tanto mais fortes quanto não precisássemos dos outros para nada.
E, no entanto, um mundo assim não nos torna mais vivos. Leva-nos a fugir da nossa pequenez, sem percebermos que a melhor forma de ficarmos presos a alguma coisa é fugirmos dela.”
Eduardo Sá, “Tudo o que o amor não é”
Foto: Internet
sábado, 14 de maio de 2011
Curtas XVIII - Pessoas Especiais
terça-feira, 10 de maio de 2011
A veleidade do tempo

segunda-feira, 9 de maio de 2011
Em nome da memória - Ann Brashares (parte II)
domingo, 8 de maio de 2011
The National - Sorrow
Álbum: High Violet (2010)
Música: Sorrow
Recomendação: 5/5
Lá estarei, dia 24 de Maio no Campo Pequeno, Lisboa.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Será assim o "arrep(r)ender"?
Ferocidade gestual

terça-feira, 3 de maio de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
A assimetria da expectativa
Através do sistema de som, ouves uma voz enfadonha que te faz esboçar um sorriso e aumentar o ritmo cardíaco, estás a chegar ao teu destino. Ao fim de poucos minutos, a carruagem pára, dás um último jeito ao cabelo e o teu olhar ganha um brilho momentâneo, percorres aqueles corredores apertados e a ansiedade vai-se apoderando de todos os teus músculos.
Deslizas para a plataforma num passo tímido e respiras todo aquele alvoroço, um misto de emoções que te envolve numa melancolia desproporcionada. Percorres o horizonte com astúcia e os teus olhos obedecem a uma imagem que predomina todas as tuas lembranças. Ao teu redor, as pessoas começam a dispersar e um sentimento confrangedor enobrece a desilusão daquele instante.
Tudo acontece por uma razão, pensas. Apetece-te gritar, mas só te questionas “Quanto tempo demorará a chegar?”
Filipe Almeida
One Night Only - Hide
Álbum: Started a fire (2008)
Música: Hide
Recomendação: 3/5
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Crescer a cores - Eduardo Sá

Até que, um dia, sonhou que morria. E, sentindo-se traído pelo sonho, recusou acordar, evitando ir além do sonho (que talvez seja o maior desafio que um homem pode ter). Para não ter de o enfrentar, refugiou-se no sono… e morreu a dormir.
Será talvez esse o maior risco que se corre aos 15 anos: adormecer quando se cresce, imaginando que o melhor da vida são os sonhos quando, na verdade, o que lhes dá cor ao crescimento é ir – sempre – além deles.”
Eduardo Sá "Tudo o que amor não é"
Foto: Manuel Madeira
Em nome da memória - Ann Brashares

“Vivi mais de mil anos. Morri inúmeras vezes. Quantas ao certo, não sei. A minha minha memória é uma coisa extraordinária, mas não é perfeita. Sou humano.
As primeiras vidas confundem-se um pouco. O arco da nossa alma segue o padrão de cada uma das nossas vidas. É macrocósmico. Houve a minha infância. Houve muitas infâncias. E mesmo na parte inicial da minha alma atingi a idade adulta muitas vezes. Hoje, em cada uma das minhas infância, a memória advém mais depressa. Nós executamos os movimentos, as acções. Olhamos de uma forma pouco vulgar para o mundo que nos rodeia. Recordamo-nos.”
Ann Brashares, “ Em Nome da Memória”
Foto: Nuno Bernardo
quarta-feira, 20 de abril de 2011
O caminho mais fácil

terça-feira, 12 de abril de 2011
Mudanças

No horizonte fica a esperança e nas caixas de cartão deixamos as recordações. Caminhamos como nómadas sempre com um destino temporário, sempre resignados com a sagacidade da distância. A minha morada é um “vale nada”, que tanto gosto de viver. As pessoas, os regionalismos, as culturas e todos os momentos que vivemos só porque a distância está no limiar de um cruzamento, que acabas de perder de vista. Cada lugar é, aparentemente, um espaço patético onde a superfície é delineada por fibras sintéticas que fazem cócegas nos dedos dos pés, aparentemente, a realidade destas cócegas denotam uma indemnidade que atenua qualquer virtualismo que o desconhecido possa provocar. Porquê correr, se posso caminhar? Não perco tempo a tentar definir o passo seguinte...Afinal não sou assim tão demente, afinal o “vale nada”, vale uma esperança auspiciosa que enobrece a possibilidade de acontecer.
Filipe Almeida
Foto: Internet
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Jeff Buckley - Everybody here wants you
Álbum: So Real: Songs from Jeff Buckley (2007)
Música: Everybody here wants you
Recomendação: 5/5
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Os livros que não se deixam folhear - Eduardo Sá
"Ninguém cresce vazio, por mais que, num olhar de fugida, se sinta assim. Quem nos preenche são as pessoas. Mesmo que, da sua presença no nosso crescimento, fique como rasto um aparente e interminável vazio.
O vazio é indissociável da «conta-corrente» das nossas relações mais significativas. Anuncia um estado deficitário que, se acumula, nos empurra para um enorme «tanto faz». Na verdade, o vazio é a bruma com que protegemos, dos nossos ressentimentos, as pessoas que transformam o mundo interior numa biblioteca que se foi preenchendo com livros que nunca se deixaram folhear.
O vazio é uma depressão sem se estar triste. Uma dor que adormece devagar.
Será altura de folhear os livros ou mesmo de «começar de novo», com pessoas que o preencham mais e lhe devolvam a vida interior que, muitas das que fazem parte de si lhe terão tirado."
Eduardo Sá "Tudo o que amor não é"
sexta-feira, 11 de março de 2011
Perspectivas

A perspectiva do mundo depende do sítio de onde o observas, deveríamos portanto procurar a inocência de cada local explorando a ambição daquele estado puro ao máximo, porém continuamos agarrados a uma monotonia resignada.
Encontro-me aqui no deleite do teu regaço, onde te fazes sentir de uma forma indefinida. Aqui sentado na minha prancha só dou conta desta realidade pelo som do chapinhar das ondas que transformam esta imensidão num tónico indispensável. És uma analogia perfeita da Vida. Tantas vezes me puxas para trás, tantas vezes me fazes cair, tantas vezes me fazes andar às voltas sem ter um destino certo e mesmo assim, sempre que me levanto fazes-me sorrir, sempre que deixas sentir a tua serenidade fazes-me acreditar, sempre que a rebentação dá origem a um arco-íris mostras-me a beleza, sempre que sacrificas o teu sal na minha pele bronzeada mostras-me o significado da partilha. Sem regras que me dêem certezas, sigo apenas os teus sinais.
Não tenho vergonha de começar, não tenho receio da aventura nem da languidez da saudade, é por isso…que não faço planos para o próximo adeus.
Filipe Almeida
Foto: Internet
The Smashing Pumpkins - Disarm
Álbum: Siamese Dream (1993)
Música: Disarm
Recomendação: 5/5
Infidelidades - Parte 5/5

“(…) Há três anos, logo a seguir ao meu aborto, anunciei que tinha uma coisa importante para te dizer. Lembras-te? Talvez devesse ter sido mais sincera contigo. Se o tivesse feito, quem sabe se tudo isto nunca tivesse acontecido, mas o certo é que nem agora, na situação em que me encontro, tenho forças para o tal. Isto porque tenho a impressão de que, uma vez pronunciadas certas palavras, as coisas entre nós ficarão irremediavelmente estragadas, sem conserto possível. Por isso, tomei a decisão de guardar tudo para mim e desaparecer do mapa.
Custa-me muito dizer isto, mas contigo nunca soube o que era o verdadeiro prazer sexual, nem antes nem depois do casamento. Fazer amor contigo era maravilhoso, mas tudo o que sentia, naqueles momentos, eram sensações vagas, tão vagas que dir-se-iam pertencer a outra pessoa. A responsabilidade de não ser capaz de sentir nada era cem por cento minha. Dentro de mim havia como que uma espécie de obstáculo que me impedia de aceder ao prazer sexual. Quando, por razões que não sou capaz de explicar, fui para a cama com aquele homem, o bloqueio desapareceu de repente, deixando-me completamente desatinada.
Entre nós os dois houve sempre, desde o princípio, algo de muito íntimo e delicado. Agora, porém, também essa alquimia se desvaneceu. Aquele mecanismo perfeito, quase mítico, ficou destruído. E quem o destruiu fui eu. Falando mais precisamente, houve algo que me fez destruí-lo. Que isso tenha acontecido, ninguém lamenta mais do que eu. Nem toda a gente tem a sorte de dispor de uma oportunidade como a que eu tive contigo. Odeio com todas as minhas forças a existência dessa coisa que me provocou tudo isto. Nem fazes ideia o ódio que lhe tenho. Quero saber ao certo do que se trata. Tenho de saber concretamente o que é. Devo encontrar as suas raízes, erradicá-la, julgá-la, castigá-la. Terei forças para o fazer? Não estou bem certa disso. De qualquer modo, é uma coisa que só a mim diz respeito, nada tem a ver contigo.
Só te peço que daqui em diante não te preocupes mais comigo. Esquece-me e procura refazer a tua vida. Quanto à minha família, vou escrever-lhes a dizer que a culpa do que aconteceu foi minha, e só minha, e que tu não és tido nem achado no que diz respeito a esta questão. Não creio que te venham causar problemas. Penso que devemos dar de imediato início aos trâmites do divórcio. Creio que será a melhor solução para os dois. Peço-te por tudo que não te oponhas e dês o teu consentimento. No que toca à minha roupa e ao resto das minhas coisas, deita tudo para fora, dá a quem precisa ou faz o que achares melhor. Fazem parte do passado. Perdi direito a todas as coisas que usei durante a nossa vida em comum, sinto isso.
Adeus.”
Haruki Murakami, “Crónica do Pássaro de Corda”
Foto: Isabel Madureira
Curtas XIV - Competição
quarta-feira, 2 de março de 2011
Pete Murray - See the sun
Álbum: See the sun (2005)
Música: See the sun
Recomendação: 5/5
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Infidelidades - Parte 4/5
Continuação da parte 3.
“(…) Chegou um dia e ele pediu-me que te deixasse e que fosse viver com ele. Dizia que nós tínhamos sido feitos um para o outro, que não havia razão para não estarmos juntos. Que também ele abandonaria a sua família. Pedi-lhe que desse um tempo para pensar. Depois de nos despedirmos, no comboio, no regresso a casa, de repente percebi que já não sentia nada por ele. Não sei explicar por que razão, mas no instante em que surgiu a ideia de vivermos juntos, aquela atracção misteriosa alojada dentro de mim desapareceu, como que varrida por um violento tornado. Não sentia por ele o mínimo desejo.
Foi a partir daí que comecei a sentir-me culpada. Tal como te disse antes, enquanto senti por ele um intenso desejo sexual nunca conheci o mínimo sentimento de culpabilidade. Só estava interessada em certificar-me de que não desses conta de nada. Pensava eu que podia fazer o que me desse na gana, na condição de que tu não te apercebesses disso. A minha relação com ele e a minha relação contigo pertenciam a dois mundos diferentes. Quando o meu desejo por ele se desvaneceu, senti-me completamente perdida.
Sempre me tivera na conta de uma pessoa honesta. Escusado será dizer que tenho muitos defeitos, mas, no que toca às questões importantes, nunca tinha mentido a ninguém nem me enganara a mim própria. Nunca te tinha escondido nada, e isso representava aos meus olhos um motivo de orgulho. E, no entanto, durante meses a fio andei a mentir-te descaradamente sem sentir uma ponta de remorso.
A bem dizer, foi essa a verdade que começou a atormentar-me. Comecei a sentir-me uma pessoa vazia, sem valores nem interesse. Vendo bem, se calhar é isso mesmo que sou. Além disso, há outra coisa que me preocupa, e muito: por que senti de repente um desejo anormal e irreprimível por um homem que não amava? Não consigo compreender porquê. Se não fosse aquele desejo, hoje ainda estaria a teu lado, a viver feliz e contente. E aquele homem não passaria de um amigo com quem poderia trocar dois dedos de conversa, de vez em quando. A verdade, porém, é que aquele desejo louco, deitou tudo por terra e reduziu a nada tudo o que nós tínhamos construído juntos, pouco a pouco, durante anos. E deixou-me ficar sem nada: levou-te a ti, ao lar que tinha constituído contigo, ao meu trabalho. Por que carga de água é que me foi acontecer uma coisa assim?(…)”
Haruki Murakami, “Crónica do Pássaro de Corda”
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Fusão de Sentidos

Ninguém acredita! Tentamos marcar a diferença, movidos por valores quase extintos devido à imprudência de falsos crentes, que reduziram o possível num tesouro difícil de alcançar.
A possibilidade foge a cada dia que passa, como se tivessem a dar-nos a mão e por meros milímetros não as conseguimos alcançar. Estivemos tão perto, como o limite do solo com o abismo. E com o tempo perdemos a fé. Não aquela fé religiosa, mas a fé pessoal, onde criamos todos destinos, onde se cria todas as ilusões, nas quais a credibilidade assume a diferença entre o essencial e o indispensável.
Quantas vezes somos capazes de desistir de alguém que amamos? E o amor próprio? Será essa a condição de tanta persistência?
Neste mundo criado a preceito, ouvem-se as sirenes sempre que o momento se reduz num enigma e a invisibilidade se torna tangível a uma vulgar troca de sentidos. Chama-se a fusão de sentidos.
(Olfacto+Tacto+ visão+ Audição+ Paladar) / (Frente+Trás+ Direita+ Esquerda+ Cima+Baixo) = Sentimento <=> (Olfacto+Tacto+ visão+ Audição+ Paladar)/Sentimento = Várias direcções <=> Amor ≈ Sem Sentido
Talvez a persistência no amor não tenha sentido. Sempre que tenhas dúvidas que ele seja possível, desisti, porque não haverá solução.
Filipe Almeida
Foto: Internet
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Foals - What Remains
Álbum: Total Life Forever (2010)
Música: What Remains
Recomendação: 5/5
Ana Garcia Martins - Só sei que muito sei
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Infidelidades - Parte 3/5
“(…) Porque que é que aquele desejo tinha surgido em mim, assim tão de repente? E porquê com alguém que não eras tu? Não sei o que dizer. O que sei é que, naquele momento, não consegui controlar-me. Nem sequer fiz por isso. Por favor, procura entender: nunca me passou pela cabeça que te pudesse estar a enganar. Na cama daquele hotel, fiz amor com aquele homem como uma possessa. Para ser sincera, nunca na minha vida me tinha sentido tão bem. Minto, não foi assim tão simples: «tão bem» é dizer pouco. Tinha a sensação de estar a rebolar em lama quente. A minha mente absorvia de tal maneira o prazer em estado puro, que inchava ao ponto de estalar. E a seguir explodiu. Qualquer coisa de prodigioso. Uma das coisas mais maravilhosas que alguma vez me aconteceu.
E a seguir, como tu sabes, escondi de ti essa ligação. Tu nunca te deste conta de que eu te era infiel e nunca suspeitaste de nada, nem mesmo quando eu chegava tarde e a más horas a casa. De tal maneira confiavas cegamente em mim, que nunca pensaste que um dia poderia atraiçoar-te. E, no entanto, nunca soube o que era o sentimento de culpa. Às vezes ligava-te do quarto de hotel para te dizer que ia chegar mais tarde por causa de uma reunião de trabalho. Dizia uma mentira a seguir à outra sem experimentar o mínimo remorso. Fazia aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo. No meu coração, ansiava pela vida a teu lado. O nosso lar era o lugar onde devia regressar. O mundo ao qual eu pertencia. Apesar disso, o meu corpo sentia um violento desejo de sexo com aquele homem. Uma metade de mim estava em casa, contigo, a levar uma vida tranquila ao teu lado, a outra metade, ali, a fazer amor desenfreadamente com aquele homem.
Quero que entendas ao menos uma coisa: não se dava o caso de tu seres sexualmente inferior a ele, ou de eu estar cansada de fazer amor contigo. O que aconteceu foi que, naquele momento, o meu corpo sentia um apetite voraz, irrefreável. E não pude controlar-me. Não sei dizer-te porque aconteceu. Só te posso dizer que as coisas aconteceram assim. Durante o período em que tive relações com ele, pensei várias vezes em fazer também amor contigo. Parecia-me injusto ir para a cama com ele e contigo não, mas a verdade é que nos teus braços não sentia rigorosamente nada. Deves ter dado por isso. Foi por essa razão que, nos últimos meses, inventei toda a espécie de desculpas para não ter relações sexuais contigo. (…)”