domingo, 13 de fevereiro de 2011

O que é mais valioso?


Não me perguntes para onde vou, porque hoje a liberdade é o meu cicerone. Caminho entre dias claros e desejos singelos onde tudo é autêntico, onde tudo é secretamente apetecível. No ar entoam sinfonias de violinos que transformam a escolha em virtudes displicentes, assim como, o rebento debocha numa flor cativante, eu envolvo-me nesta natureza lograda. Os diamantes são feitos sobre pressão, valiosos mas duros. O maracujá tem um aspecto dúbio, é acarinhado por quem o planta, tem uma flor deslumbrante e um sabor deleitante. Associando a sociedade a este ruralismo ilusório, não deixo de caminhar com o aspecto dúbio de quem anseia nunca ser cúmplice de uma pressão enganadora. Afinal, o que é mais valioso?


Filipe Almeida


Pablo Neruda - Quem Morre?

"Morre lentamente quem não viaja,

quem não lê,

quem não ouve música,

quem não encontra graça em si mesmo.


Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,

quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,

repetindo todos os dias os mesmos trajectos,

quem não muda de marca,

não se arrisca a vestir uma nova cor

ou não conversa com quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.


Morre lentamente quem evita uma paixão,

quem prefere o negro sobre o branco

e os pontos sobre os "is"

em detrimento de um redemoinho de emoções

justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos

dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.


Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,

quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,

quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.


Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se

da sua má sorte ou da chuva incessante.


Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre um assunto que desconhece

ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,

recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.


Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."


Pablo Neruda

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sonhos sem Ilusões - Fernando Pessoa



"Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde."

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
Foto: José Menezes

sábado, 29 de janeiro de 2011

The Beautiful Girls - On clear day

Artista da Semana: The Beautiful Girls

Álbum: Morning Sun (2002)

Música: On clear day

Recomendação: 4,5/5

Se há coisa que me está a fazer muita falta és tu. Saudades*

Infidelidades - Parte 2/5


Como prometido, aqui vai a 2ªparte. Para quem não leu, a 1ªparte foi publicada em Dezembro de 2010 e encontra-se aqui.

“(…) O que não significa que, no fundo, eu não sentisse o secreto desejo de me vingar de ti. No fundo, no fundo, ainda me sentia magoada pelo facto de teres passado uma vez a noite em casa daquela rapariga. Bem sei que me disseste que não aconteceu nada e eu acreditei em ti, mas isso não significava que a coisa ficasse resolvida. No fim de contas, são os sentimentos que estão em causa. Isto para dizer que não foi por vingança que te fui infiel. Lembro-me de te ter ameaçado, uma vez, mas isso foi da boca para fora. Se fui para a cama com ele, foi porque me apeteceu, mais nada. Uma vontade mais forte do que eu, à qual me foi impossível resistir.

Há já muito tempo que não nos víamos quando quis o destino que nos encontrássemos por causa de um assunto de trabalho. A seguir, fomos comer qualquer coisa e depois entrámos num bar para tomar um copo. Já sabes que não bebo, por isso fiquei-me por um sumo de laranja e não ingeri uma gota de álcool. Portanto, não foi por causa do álcool que aconteceu o que aconteceu. Tratou-se de um encontro normalíssimo, uma conversa o mais natural possível, mas a certa altura tocámos um no outro casualmente, e naquele preciso momento senti um desejo intenso de fazer amor com ele. No instante em que os nossos corpos se tocaram, percebi instintivamente que também ele me desejava. E que sabia que eu o desejava. Foi uma coisa perfeitamente irracional, uma espécie de descarga eléctrica paralisante que passou entre nós. Tive a sensação de que o céu desabafa sobre mim. Senti as faces a arder, o coração a bater desalmadamente, uma forte pressão no baixo-ventre. Mal me conseguia manter sentada no tamborete. A princípio não sabia bem o que me estava acontecer, mas não demorei muito a perceber que estava na presença do desejo sexual. Sentia por aquele homem um desejo físico tão violento que me senti à beira de sufocar. Sem que nenhum de nós tomasse a iniciativa, entrámos num hotel ali perto e fizemos amor como dois loucos.

Bem sei que me arrisco a ferir os teus sentimentos ao descrever-te a situação de uma forma tão crua, mas acredito que, a longo prazo, será melhor que saibas como tudo se passou, ao pormenor e com sinceridade. Por isso, ainda que seja doloroso para ti, peço-te que tenhas paciência e continues a ler.

Não posso dizer que estivesse apaixonada. Com efeito, o que fiz não tinha nada que ver com o «amor». Só sei que queria ter relações sexuais com ele, senti-lo dentro de mim. Pela primeira vez na minha vida desejava um homem ao ponto de me faltar a respiração. Tinha lido acerca de um «desejo irreprimível» nos livros, mas até àquele dia nunca soubera do que se tratava concretamente. (…)”

Haruki Murakami, “Crónica do Pássaro de Corda”

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Curtas XII - Nunca é tarde

"A cada instante há que sacrificar o que somos ao que podemos vir a ser."

Charles Bos


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rui Veloso - Nativa

Artista da Semana: Rui Veloso

Álbum: Auto da Pimenta (1991)

Música: Nativa

Recomendação: 5/5

Sou um grande admirador do Rui Veloso, para mim é umas das principais referências nacionais. É impossível ficar indiferente às músicas e às letras deste grande músico, por isso, Obrigado Rui!


Agustina Bessa Luís - O que é escrever?

E porque também gosto de escrever, não como imposição ou dever, mas sim como uma partilha espontânea de sentimentos, deixo-vos este texto da Agustina Bessa-Luís.

"Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum acto humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida."

Agustina Bessa-Luís, "Contemplação Carinhosa da Angústia"

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ausência II

Em vésperas de festejar um novo ano e, não menos importante, um ano de existência deste blog, terei de ausentar-me durante um mês.

Janeiro vai ser decisivo para olhar o futuro com outros olhos.

Espero que o prazer que tenho a escrever seja recíproco no momento em que lêem os posts aqui publicados.

Um breve, ATÉ JÁ!

DESEJOS DE UM EXCELENTE 2011!!!

Filipe Almeida

Inflação da Perfeição

Não sei que caminho deva seguir e mesmo agora que olho para o céu carregado de nuvens animadas pela indolência do vento, continuo siderado na imagem recriada pelo devaneio da mente. A quantidade de dados adquiridos não se materializa em factos concretos e por mais puzzles que construa não consigo alterar as exigências elevadas de um coração resoluto.

Na perfeição encontro a minha némesis, que de ser tão desejada torna-se trivial. Banalidades à parte, haverá sempre enigmas marginalizados pela inteligência, onde as interrogações começam da mesma forma que terminam, ou seja, num ponto final.

A imagem recriada aperfeiçoa-se à medida que o olhar absorto se perde nos segundos que o tempo não conta, e assim ficamos, expostos e vulneráveis à valorização de uma perfeição irrevogável.

Filipe Almeida

James Blake -Limit To Your Love

Artista da Semana: James Blake

Álbum: Echoes (2011)

Música: Limit To Your Love

Recomendação: 4/5

A versão original é da conceituada Feist, mas pessoalmente, prefiro a versão do James Blake.

Fernando Pessoa - As Imperfeições dos Nossos Sentidos

"Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstractas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objecto ou um facto do exterior. Nas ideias abstractas concordamos em absoluto.
Dois homens não vêem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra «mesa» da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstracta da mesa."

Fernando Pessoa, "Ricardo Reis -Prosa"

Them:Youth - Fever Rising


Artista da Semana
: Them:Youth

Álbum: Toothache

Música: Fever Rising

Recomendação: 4/5

Com a ausência, vou deixar mais duas referências musicais.

Infidelidades - Parte 1/5


Nos dias de hoje, a ficção desta carta é uma realidade desprezível...

“Queria ter-te escrito mais cedo para te explicar tudo como deve ser, mas enquanto procurava as palavras certas para te descrever exactamente os meus sentimentos, para te explicar e fazer-te compreender bem a situação, o tempo passou a voar. Sinto-me mal e tenho muita pena por ti.

Como já deves ter percebido, tenho-me encontrado com outro homem. Nos últimos tempos, durante quase três meses, tive relações sexuais com ele. Travámos conhecimento por questões de trabalho e tu não o conheces. Além disso, quem ele é pouco ou nada importa. Não faço tensões de voltar a vê-lo. Pela minha parte, pelo menos, está tudo acabado, não sei até que ponto isso te servirá de algum consolo.

Se me perguntares se o amava, não saberia responder-te. A questão, de resto, parece-me irrelevante. Agora, se me perguntares se te amava, aí poderia responder-te sem a mínima hesitação: sim, amava-te. Sempre pensei ter feito muito bem em casar-me contigo. E continuo a pensar. Agora vais querer saber porque razão te fui infiel e, em última análise, porque saí de casa e te deixei. Também eu tenho feito a mim mesma esta pergunta vezes sem conta. O que me terá levado a agir assim?

Não consigo encontrar uma explicação. Nunca foi minha intenção arranjar um amante, nem ser-te infiel. De resto, quando comecei a minha relação com este homem, não me passava pela cabeça enganar-te. Encontrámo-nos meia dúzias de vezes por razões profissionais e, às tantas, começámos a falar ao telefone de coisas que não tinham que ver do trabalho. Ele é muito mais velho do que eu, tem mulher e filhos, e, como homem nem sequer se pode dizer que seja especialmente atraente, daí que, por tudo isto junto, nunca me visse passado pela cabeça que um dia poderia vir a ter com ele uma relação profunda. (…)” - as restantes 4 partes serão publicadas em breve.

Haruki Murakami, “Crónica do Pássaro de Corda”

Foto: José Luís Silva

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Clogs feat Matt Berninger - Last Song


Artista da Semana: Clogs

Álbum: The Creatures in the Garden of Lady Walton (2010)

Música: Last Song

Recomendação: 3,5/5


Soltas VII - Inveja/Ciúmes

A euforia de uns, provoca o silêncio de outros!

Vergílio Ferreira - A história é um criar e desfazer de ilusões


"A História é um criar e desfazer de ilusões. Em todos os domínios, sobretudo no do pensar. Admitamos que é antes um desfazer de ilusões até à verdade final. Cercados do nada, antes e depois, o indivíduo, a espécie, a própria terra, o sistema solar, o universo com a degradação da energia, que é que quer dizer uma «ilusão»? É o acordar de um sonho num sonho. Que significa o entusiasmo com o desfazer do que nos iludiu? Mas continuar a sonhar num sonho de segundo grau é não saber que se continua. Com essa ignorância se faz a grandeza do homem. Ou com o ignorar, mas como se não. A verdade perfeita é o nada que nos cerca. Mas no nada nem sequer se sabe que não há nada. Só portanto na ilusão pode haver tudo. E, nesse caso, continuemos."

Vergílio Ferreira, "Conta-Correntes 3"

domingo, 26 de dezembro de 2010

Curtas XII - Posse

"Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência."


Fernando Pessoa "Livro do Desassossego"
Foto: Internet

Coldplay - See you soon


Artista da Semana: Coldplay

Álbum: The Blue Room (EP) - 1999

Música: See you soon

Recomendação: 4,5/5

Matias Aires - Definição de Amor

"O amor não se pode definir; e talvez que esta seja a sua melhor definição. Sendo em nós limitado o modo de explicar, é infinito o modo de sentir; por isso nem tudo o que se sabe sentir, se sabe dizer: o gosto, e a dor, não se podem reduzir a palavras. O amor não só tem ocupado, e há-de ocupar o coração dos homens, mas também os seus discursos; porém por mais que a imaginação se esforce, tudo o que produzir a respeito do amor, são átomos. Os que amam não têm livre o espírito para dizerem o que sentem; e sempre acham que o que sentem é mais do que o que dizem; o mesmo amor entorpece a ideia e lhes serve de embaraço: os que não amam, mal podem discorrer sobre uma impressão, que ignoram; os que amaram são como a cinza fria, donde só se reconhece o efeito da chama, e não a sua natureza; ou também como o cometa, que depois de girar a esfera, sem deixar vestígio algum, desaparece."

Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A infância

Lembranças são utopias disfarçadas pelo presente, que originam a sensação de um pensamento duradouro. Relembrar faz levantar o nevoeiro que esconde o condicionalismo de um dia não vivido, é assim que encaramos a plenitude da infância.

Faço uma ode à infância, a todos os momentos que ela me proporcionou e a todos os sentimentos lúgubres que hoje ajuda a sentenciar. Faz parte do ser humano, dispersar por todas as conjecturas produzidas pela imaginação fértil da criança que sempre nos acompanhará. É fascinante como um simples brinquedo consegue ludibriar o tempo e transportar para o mundo só nosso, onde a imaginação é a ferramenta de uma recriação onírica. As brincadeiras são os professores mais exigentes e ensinam-nos a encarar a vida com limites que nós próprios delineamos.

Escrevo este texto com um sorriso acutilante, onde deixo o meu apreço a todos os brinquedos e a todas as brincadeiras que transformaram os sonhos em realidades irrevogáveis, para que hoje consiga acreditar na metamorfose de uma imaginação verídica.

Na infância, acreditava na hipótese de acontecer e agora…acredito que nunca deixei de ser criança.

Filipe Almeida

P.S – Hoje em dia, as crianças da nossa sociedade, deviam brincar mais com legos, playmobis, saltar, correr, andar de bicicleta e subir árvores. Deviam deixar desenvolver toda a potencialidade da imaginação ao invés de se agarrarem a consolas e computadores que só sabem oprimir a capacidade de recriar algo imaginado. Para quem desconhece, chama-se CONCRETIZAR.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Angus And Julia Stone - Draw your Swords


Artista da Semana: Angus And Julia Stone

Álbum: Down the way ( 2010)

Música: Draw Your Swords

Recomendação: 4/5


É daquelas músicas carregadas de sentimento...

Fiódor Mikhailovich Dostoiévski - I

Dostoiévski, é um dos vários escritores russos que me fascina pela facilidade com que transforma a mente em pensamentos subjectivos . Devíamos parar um pouco e pensar no conteúdo de frases feitas por quem tem a capacidade de entender o pensamento. Divagar faz falta, desde que seja com bom senso. Aqui ficam algumas frases deste escritor russo:

- "O segredo da existência humana não está apenas em viver, mas também em saber para que se vive".

- "A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."

- "A vida é um paraíso, mas os homens não o sabem e não se preocupam em sabê-lo."

Vale a pena pensar nisto.

Curtas XI - Pormenores


Quando uma decisão puder alterar a certeza, há que dar prioridade aos pormenores.


Filipe Almeida
Foto: Miguel Pereira

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sam Cooke - A chance is gonna come


Artista da Semana:Sam Cooke

Álbum: Ain't That Good News

Música: A chance is gonna come

Recomendação: 4/5


E o meu pensamento após um dia bem produtivo foi " Vamos beber um chá?"

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Destino



Existe um cepticismo crescente quando se fala no destino. Na doutrina que construo diariamente e na qual acredito, o destino é o alicerce para o que ainda não foi descoberto, ou seja, é uma viagem não planeada. Ao longo da vida, o destino surge nos objectivos que traçamos e que nos obrigam a seguir um certo caminho, ora, se não conseguirmos concretizar esse objectivo, por circunstâncias alheias ao querer, toda essa viagem não deixou de ter um destino, certo? O destino é a assimetria entre o desejo e a premonição.

Eu acredito na concepção do destino, como sendo um rascunho pérfido dos sonhos intangíveis onde existe sempre outra alternativa. É esta a diferença entre destino e o predestino. O destino és tu que o crias, estando exposto às suas contrariedades e a predestinação é imutável seja quais forem as tuas acções. Não acredito que haja alguém que tenha o dom da premonição e que consiga predestinar o futuro, ninguém consegue antecipar o presente. Eu acredito no destino, na simplicidade do esboço que a vida vai desenhando… Na predestinação? Só a morte.


Filipe Almeida

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Origens

"O acontecer do ser
na evolução
faz às origens voltar,
o ser ser em novo ser.

E cada semente ser
no recomeçar
o seu corpo de um ser
e ser a razão de ser."

Fernando Ilharco Morgado, " No Rumor da Terra"

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Revés da Imortalidade

“- Se os homens vivessem eternamente, sem nunca desaparecerem deste mundo, sem nunca envelhecerem nem perderem a saúde, acreditas que se davam ao trabalho de queimar os neurónios a pensar nisto e naquilo, como nós fazemos? Quero dizer, nós reflectimos sobre tudo e mais alguma coisa: Filosofia, psicologia, lógica. Religião. Literatura. Acreditas realmente que se a morte não existisse, essas ideias e esses conceitos tão complicados não estariam condenados a desaparecer da face da Terra? Isto é…
(…) o que penso é que as pessoas são obrigadas a reflectir sobre o significado da vida precisamente porque sabem que acabam por morrer um dia. Certo? Quem é que se daria ao trabalho de pensar a sério sobre o facto de estar vivo, se soubesse que continuaria a viver tranquilamente para sempre? Qual seria a necessidade? Ou então, mesmo que a necessidade de reflectir fosse real, o mais certo era as pessoas acabarem por dizer: «Tudo bem, ainda tenho muito tempo pela frente. Deixo isso para mais tarde.» Mas as coisas, na realidade, não são assim. Temos obrigação de pensar neste instante, aqui e agora.”


Haruki Marukami, “Crónica do Pássaro de Corda”

Foto: Hélio Mattos

Paul and Fritz Kalkbrenner - Sky and Sand

Artista da Semana:Paul and Fritz Kalkbrenner

Álbum: BPitch Control

Música: Sky and Sand

Recomendação: 3,5/5

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Contas ao tempo



Partilho hoje, um postal oferecido por uma amiga, que contêm um poema que nos provoca um sentimento de reflexão.

Apesar de "chorar" o tempo que já não tenho, continuo a ter tempo, para fazer contas ao tempo que ainda tenho. Porque o tempo é aquilo que fazemos dele, aqui vai transcrição do poema,


Contas ao tempo

“Mas, cuidar sem tempo tanta conta,
é força do meu tempo
já dá contas!

Mas, cuidar sem tempo tanta coisa
eu que gastei, sem conta, tanto tempo,
para ter a minha conta feita a tempo.

Dado me foi bom tempo e não fiz contas
não quis, sobrando tempo, fazer contas
quero hoje fazer contas, falta tempo.

Oh vós, que tendes tempo sem ter conta!
não gasteis esse tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer contas.

Mas, oh! se os que cuidam do seu tempo,
fizessem desse tempo alguma conta,
não chorava, como eu, o não ter tempo!”

Poema de um monge do séc. XVIII
Foto: José Pio


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Curtas X - O Querer


Pior que não tentar é ter a incapacidade de Querer.

É assim que descrevo o rosto das pessoas desconhecidas com quem me cruzo todos os dias.



Filipe Almeida
Foto: Babi Teixeira



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Kings Of Leon - The End


Artista da Semana: Kings Of Leon

Álbum: Come Around Sundown

Música: The End

Recomendação: 4,5/5

domingo, 21 de novembro de 2010

O poder das palavras

Crescemos ao som de uma amálgama de palavras que nem sempre são bem entendidas, apesar de o discurso aparentar ser o mais íntegro. O motivo de tanta displicência muitas vezes está associado ao facto de não sabermos o seu significado, outras porque simplesmente não as queremos entender.

Devíamos encarar as palavras com toda a reverência e não usá-las somente como forma de exprimir um pensamento que (às vezes) sofre de uma impulsividade precoce, ou como forma de interligar uma discurso que nunca é revisto. A crítica não se refere às palavras mal pronunciadas, mas sim, às que são mal utilizadas por não traduzirem o mesmo significado, em duas pessoas distintas.

Lembro-me do poder das palavras em diferentes cenários da nossa vida: Quando tens dúvidas. Quando precisas de ânimo. Quando queres conhecer. Quando queres proteger. Quando queres recordar. Quando queres partilhar. Quando queres conquistar. Quando queres tentar. Este é o poder das palavras…

São as reminiscências dos bons momentos que perpetuam, por isso, devemos deixar os discursos ardilosos para quem finge não entender as palavras que têm o mesmo significado.

Filipe Almeida

domingo, 14 de novembro de 2010

Curtas IX - You never loose


Qualquer que seja a decisão tomada, há sempre um equilíbrio entre a perspectiva do perder e do ganhar.


sábado, 13 de novembro de 2010

Curtas VIII - Julgamento do tempo


Sentenciamos o tempo, porque continuamos a pensar que nada é para sempre.

Filipe Almeida

Foto: Rattus


Lhasa de Sela - Love Came Here

Artista da Semana: Lhasa de Sela

Álbum: Lhasa

Música: Love Came Here

Recomendação: 3,5/5

Lhasa não conseguiu vencer o cancro da mama, mas a sua música ficará para sempre.

Ser, Parecer - Mia Couto

Ser, Parecer

"Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida

Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos."

Texto : Mia Couto
Foto: Bruno Bastos

domingo, 7 de novembro de 2010

Quando te disse adeus, não foi para sempre!

Quando te disse adeus, não foi para sempre! Os desejos agora são como cartas escritas à mão, onde as lágrimas provocadas por um sentimento semelhante à saudade, não se limitam apenas a manchar as linhas do passado, as lágrimas também refutam o sorriso que sempre me acompanhará. O espaço já não nos pertence, as montanhas que subimos estão agora cobertas de neve e o espelho provocado pela serenidade do rio já não nos reflecte. Quando te disse adeus, não foi para sempre!

O tempo mostrou-nos que não tivemos medo de mudar e hoje…envelhecemos num tom impetuoso, rodeados de falsas recordações que recriam um filme quase mudo. As quimeras também são permissivas à realidade e hoje que estás longe, acredito que a loucura do amor está condenada à precariedade de meia dúzia de palavras românticas. As perguntas agora são como especulações sem sentido, onde a resposta é uma verdade absoluta para quem não acredita na mentira. Quando te disse adeus, não foi para sempre!

O verbo entender é asséptico a qualquer momento decorrente num passado que já foi presente, talvez por isso, a razão considere que seja sempre tarde para pedidos de desculpas. Hoje…somos apenas estranhos que já estiveram à distância do respirar e no final…seremos apenas descobridores de lágrimas sentidas, harmonizadas com a voluptuosidade das gotas de suor.

Esqueci-me como te pronunciava a palavra “amo-te” … Quando te disse adeus, não foi para sempre!


Filipe Almeida

P.S - Ao texto escrito em cima, não o considerem "lamechas" , para quem não sabe, ou nunca sentiu, fica a visão que o amor ainda existe...

sábado, 6 de novembro de 2010

Patrick Wolf - Time Of My Life


Artista da Semana: Patrick Wolf

Álbum: The Conqueror (data prevista para saída do álbum - Maio 2011)

Música: Time Of My Life

Recomendação: 3,5/5

Os signos - Fernando Pessoa

"II. HORIZONTE

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,

Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta

Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
Os beijos merecidos da Verdade.


Touro é um signo de Terra, o signo do plantio, da realidade material, da busca do concreto. “E no desembarcar, há aves, flores, / Onde era só, de longe a abstracta linha". Também é um signo de Quarto Raio, o raio da busca da harmonia através dos pares de opostos. De um lado o mar, de outro a terra.

A partir da fecundação em Áries, a Alma parte para o concreto, para a busca da realização.

Touro também está ligado à abertura de uma visão superior das coisas, seu lema transpessoal é "Eu vejo, e quando o olho está aberto, tudo é luz." "O sonho é ver formas invisíveis" mostra a Alma buscando essa visão superior das coisas, com"Movimentos da esperança e da vontade". Touro é regido na astrologia comum por Vénus, neste caso simbolizando a esperança, a busca pelo conforto da terra e, na astrologia transpessoal por Vulcano, planeta de Primeiro Raio, o raio da vontade.

E o poeta termina ainda com essa busca da visão superior do Touro: "Os beijos merecidos da Verdade"

Fernando Pessoa, "O Simbolismo Astrológico de mar Portuguêz"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Orelha Negra - Tanto Tempo


Artista da Semana
: Orelha Negra

Álbum: Orelha Negra

Música: Tanto Tempo

Recomendação: 4/5

domingo, 31 de outubro de 2010

Déjà vu

Quando te perdes num sonho, o que sentes? Talvez a percepção de um estranho déjà vu?

Se não é intrínseco, prefiro andar o tempo necessário até o voltar a encontrar, tal e qual como uma folha atraiçoada num remoinho de vento, procura a sua tranquilidade. Persigo a mente até à exaustão do pensamento, naquele preciso momento em que a persistência tolera o medo. Até pode ser mentira, mas mesmo assim, o que nos impede de acreditar nela?

É como se fossemos estranhos no nosso próprio mundo, onde as considerações nunca são sensatas, mas suficientemente astuciosas para acreditar nelas.

Num certo aturdimento, denoto que nenhum mundo perfeito é cúmplice de um álibi bem sucedido. Deste modo, mesmo que a brisa já seja ténue, a folha continuará impassível a algo já sentido, assim como, continuaremos a menosprezar os interstícios de um déjà vu, para colocar todas as perguntas que já foram feitas.


Filipe Almeida

sábado, 16 de outubro de 2010

Friedrich Nietzche - O que se pode prometer

"Pode-se prometer acções, mas não sentimentos, pois estes são involuntários. Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou odiá-lo sempre, ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; mas o que pode perfeitamente prometer são aquelas acções que, na verdade, são geralmente as consequências do amor, do ódio, da fidelidade, mas que também podem emanar de outras razões, pois a uma acção conduzem diversos caminhos e motivos. A promessa de amar sempre alguém significa, portanto: enquanto eu te amar, manifestar-te-ei as acções do amor; se eu já não te amar, pois, não obstante, receberás para sempre de mim as mesmas acções, ainda que por outros motivos. De modo que a aparência de que o amor estaria inalterado e continuaria sendo o mesmo permanece na cabeça das outras pessoas. Promete-se, por conseguinte, a persistência da aparência do amor, quando, sem ilusão, se promete a alguém amor perpétuo. "

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Doves - One of these days


Artista da Semana
: Doves

Álbum: Some Cities

Música: One of these days

Recomendação: 5/5

Uma das minhas bandas favoritas. Na ausência de inspiração para qualquer tipo de acção, os Doves, são sempre uma das bandas de eleição.

O teu Aprendiz


Um dia foste um sonho, hoje és uma realidade.

Tu és o exemplo vivo, que o desejo aliado ao querer , tudo consegue. ( yes we can).

Tive uma chance, uma pequena oportunidade, para concretizar o meu desejo e tu....não me deixaste sozinho!

Lutei por ti, não te queria desiludir, queria ser digno da tua serenidade, do teu conhecimento, da tua paciência....

Houve dias em que dizias "bom dia", outros em que dizias " não me chateies", mas mesmo assim, GOSTO DE TI!

Vales todas as noite mal dormidas, todas as manhãs sonolentas.

É bom Sentir-te!

Tens o dom de atenuar a dor, de fazer esboçar milhares de sorrisos. O grito da queda e a felicidade de algo bem sucedido:).

A amizade....
O sabor da manhã...
A luta...
O cansaço...
A pele salgada....
A pele bronzeada....
O pôr do sol...
A chuva que "pica"....


És alheio a tudo, é só querer, e somos apenas EU e TU! Envolves-me numa espécie de magia que nem sempre é boa...(só és permisivo quando queres!).

Adoro quando deixas transparecer aquele arco iris, após mais uma onda serena e o teu "wash machine" é sempre motivo de risada..a felicidade, o convivio, a tua paz....

O MAR!

Espero nunca te perder....

Ontem à noite, senti-me cansado, mas..ainda tive tempo de te dizer, OBRIGADO POR TUDO!!!

Filipe Almeida

Hoje preciso ser feliz

"Hoje preciso ser feliz, sair á rua, respirar bem fundo, e gritar, libertar a mente de porcarias e purgar tudo o que está a mais, hoje preciso estar sozinho correr atrás da minha mente, controlar-me nos momentos irracionais de descontrolo, e tentar ser feliz.

Hoje sei que estou doente, tenho uma doença que só é boa se esta contagiar mais do que apenas uma pessoa, infelizmente só eu estou doente, como um enfermo deixado sozinho numa cama de hospital público.

Sei que neste momento não consigo controlar ou sequer explicar esta doença que me contagia. Doença esquisita mas que não é rara, porem nenhum médico me consegue diagnosticar a causa, a origem ou sequer arranjar uma cura.

Hoje sinto-me ferido por dentro mas ao mesmo tempo nasce em mim uma enorme força de viver, que controla todo no meu jeito de pensar e condiciona a minha forma de agir.

Esta doença só é detectável em certos momentos, naqueles momentos em que fico a olhar para o vazio perdido e a pensar, umas vezes com um sorriso nos lábios outras vezes com uma lágrima no rosto, com mudanças de humor repentinas sem explicação plausível.

Hoje quero me curar deste mal hoje quero ganhar sanidade nem que para isso tenha de extinguir um pouco a chama que me aquece a alma

Hoje estou determinado, ou talvez esteja armado em parvo, perdido e indeciso sei que preciso dar um passo a traz para poder seguir o meu caminho, sozinho curado, e mal amado.

Só hoje preciso de alguém, mas não quero estar com ninguém!"

J.P

My Way



Quantas vezes não pensaste já, que tudo o que ÉS hoje, foi devido às opções e decisões que tomaste ao longo da vida??

Pois é, tive a liberdade de ouvir a música daquele grande senhor, FRANK SINATRA "my away", com toda a minha atenção(a letra ).... a sensação foi... BOLAS, eu também tenho feito tudo à minha maneira.


Tomei opções que me fizeram rir, que me fizeram chorar,tive estados de ansiedade, estados de tristeza, misturados com felicidade e alegria.

Olho para o passado, e apesar de me arrepender de algumas coisas que fiz e de muita coisa que NÃO fiz, eu vivi...... a vida à minha maneira.

Cheia de descobertas, descobri e fui descoberto, amei e fui amado, sorri, chorei, gritei, sussurei,viajei, sonhei, desejei e fui desejado....fui e sou o que sou por tudo aquilo que fiz...e mais uma vez, vivi a vida À minha maneira.

TUDO ISTO PARA...... ACORDA, não te estejas sempre a LAMENTAR da vida que tens, porque se não estás satisfeito, a culpa é TODA TUA. Esforça-te, acredita, e vive a vida....à tua maneira!!


"And now, the end is near;
And so I face the final curtain.

My friend, Ill say it clear,

Ill state my case, of which Im certain.

Ive lived a life thats full.
Ive traveled each and evry highway;

And more, much more than this,

I did it my way.

Regrets, Ive had a few;
But then again, too few to mention.

I did what I had to do

And saw it through without exemption.

I planned each charted course;
Each careful step along the byway,

But more, much more than this,

I did it my way.

Yes, there were times, Im sure you knew
When I bit off more than I could chew.

But through it all, when there was doubt,

I ate it up and spit it out.

I faced it all and I stood tall;

And did it my way.

Ive loved, Ive laughed and cried.
Ive had my fill; my share of losing.

And now, as tears subside,

I find it all so amusing.

To think I did all that;
And may I say - not in a shy way,

No, oh no not me,

I did it my way.

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught.

To say the things he truly feels;

And not the words of one who kneels.

The record shows I took the blows -

And did it my way!"

Frank Sinatra "my way"

Mais um dia que passou...


"Mais um dia que passou, mais um que veio anteceder tantos outros.

Hoje sinto-me perdido, no vazio, num vazio repleto de promessas por cumprir, sinto que é tempo de receber o que é meu por direito, tudo aquilo que me foi prometido, mas que o destino não quis dar.

Amanha serei outro homem amanha vou lutar e reivindicar tudo o que um dia esteve para ser meu e nunca foi! Ou talvez fique parado, talvez fique como estou agora, imóvel a ver o meu futuro passar-me á frente, simplesmente porque é mais fácil, mais cómodo, menos problemático!

Acomodei-me a esta vida miserável de banal trabalhador que vive sem objectivos sem grande propósito de vencer. Hoje sou aquilo que mais desprezo sou igual a todos os outros, perdi a minha identidade única, que por me tornar diferente, me tornava livre, não precisava de obedecer a normas nem etiquetas apenas de ser quem sou, de mostrar ao mundo um ser único que nunca ninguém viu e que por ser único, seria capaz de mudar o mundo, o meu pequeno mundo, um mundo melhor que aquele que tenho hoje.

Talvez seja amanha o dia em que tudo muda, talvez se amanha acordar com força, para me levantar, do túmulo onde á muito tempo me deitei."


J.P

Tens tudo o que precisas


Em qualquer lado, entre o principio e o fim, EU perdi-te, mas encontrei-me.....

SOU, maior que GRANDE e mais forte que diamante..sou EU!

É o meu mundo, o melhor que tenho. Aqui...há sempre um harmonioso BOM dia e uma quente boa NOITE.

Não me perco com impulsos, nem com desejos da moda, não me perco com discusões parvas, nem com mentiras desnecessárias.....

Gosto daquelas pequeninas coisas....gosto da nostálgia de qualquer bom momento....gosto de tiii, gosto de MIM. Não pelo que sou, não por aquilo que me transformei, mas sim, por aquilo que um dia v0ooou SER!

Tenho em mim, tudo o q preciso!!!!

Num banal fechar de olhos, respiro fundo e......concretizo mais um sonho. Acreditar...Torna as coisas bem reais, acreditas????

Oiço o que penso a sós....não há segredos, quero ser EU, quero ser realmente Eu.

Tenho em mim, tudo o que preciso!!!
Tu tens em ti, tudo o que precisas!!!
Nós temos tudo o que precisamos!!

Acreditas??


Filipe Almeida

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Transparência


Na minha perspectiva, continuamos a ver só o que desejamos ver, tal e qual como um capricho que não queremos mudar. Esta incongruência do psicológico, é o facto evidente para não termos a habilidade de ver a transparência do abstracto ou do real fundamentado. Ser moderado não chega para a atribuição desse dom, há que saber ser depreciativo e ver para além da beleza superficial, é assim que defino transparência.
A dicotomia do pensamento termina no preciso momento em que este surge, são esses actos lancinantes que nos fazem recear a falsa partilha das diferenças. Diferenças que não mudam…Se é o fim, tens esperança, mas se for o início, entras em estado de desespero; é assim que a transparência se torna numa vicissitude precária. Estamos sempre atrasados, um atraso, em que o tempo é apenas um espaço imutável onde a transparência surge apenas, quando já não a desejas ver.


Filipe Almeida
Foto:Emily Purnhagen Broering