domingo, 31 de outubro de 2010

Déjà vu

Quando te perdes num sonho, o que sentes? Talvez a percepção de um estranho déjà vu?

Se não é intrínseco, prefiro andar o tempo necessário até o voltar a encontrar, tal e qual como uma folha atraiçoada num remoinho de vento, procura a sua tranquilidade. Persigo a mente até à exaustão do pensamento, naquele preciso momento em que a persistência tolera o medo. Até pode ser mentira, mas mesmo assim, o que nos impede de acreditar nela?

É como se fossemos estranhos no nosso próprio mundo, onde as considerações nunca são sensatas, mas suficientemente astuciosas para acreditar nelas.

Num certo aturdimento, denoto que nenhum mundo perfeito é cúmplice de um álibi bem sucedido. Deste modo, mesmo que a brisa já seja ténue, a folha continuará impassível a algo já sentido, assim como, continuaremos a menosprezar os interstícios de um déjà vu, para colocar todas as perguntas que já foram feitas.


Filipe Almeida

sábado, 16 de outubro de 2010

Friedrich Nietzche - O que se pode prometer

"Pode-se prometer acções, mas não sentimentos, pois estes são involuntários. Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou odiá-lo sempre, ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; mas o que pode perfeitamente prometer são aquelas acções que, na verdade, são geralmente as consequências do amor, do ódio, da fidelidade, mas que também podem emanar de outras razões, pois a uma acção conduzem diversos caminhos e motivos. A promessa de amar sempre alguém significa, portanto: enquanto eu te amar, manifestar-te-ei as acções do amor; se eu já não te amar, pois, não obstante, receberás para sempre de mim as mesmas acções, ainda que por outros motivos. De modo que a aparência de que o amor estaria inalterado e continuaria sendo o mesmo permanece na cabeça das outras pessoas. Promete-se, por conseguinte, a persistência da aparência do amor, quando, sem ilusão, se promete a alguém amor perpétuo. "

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Doves - One of these days


Artista da Semana
: Doves

Álbum: Some Cities

Música: One of these days

Recomendação: 5/5

Uma das minhas bandas favoritas. Na ausência de inspiração para qualquer tipo de acção, os Doves, são sempre uma das bandas de eleição.

O teu Aprendiz


Um dia foste um sonho, hoje és uma realidade.

Tu és o exemplo vivo, que o desejo aliado ao querer , tudo consegue. ( yes we can).

Tive uma chance, uma pequena oportunidade, para concretizar o meu desejo e tu....não me deixaste sozinho!

Lutei por ti, não te queria desiludir, queria ser digno da tua serenidade, do teu conhecimento, da tua paciência....

Houve dias em que dizias "bom dia", outros em que dizias " não me chateies", mas mesmo assim, GOSTO DE TI!

Vales todas as noite mal dormidas, todas as manhãs sonolentas.

É bom Sentir-te!

Tens o dom de atenuar a dor, de fazer esboçar milhares de sorrisos. O grito da queda e a felicidade de algo bem sucedido:).

A amizade....
O sabor da manhã...
A luta...
O cansaço...
A pele salgada....
A pele bronzeada....
O pôr do sol...
A chuva que "pica"....


És alheio a tudo, é só querer, e somos apenas EU e TU! Envolves-me numa espécie de magia que nem sempre é boa...(só és permisivo quando queres!).

Adoro quando deixas transparecer aquele arco iris, após mais uma onda serena e o teu "wash machine" é sempre motivo de risada..a felicidade, o convivio, a tua paz....

O MAR!

Espero nunca te perder....

Ontem à noite, senti-me cansado, mas..ainda tive tempo de te dizer, OBRIGADO POR TUDO!!!

Filipe Almeida

Hoje preciso ser feliz

"Hoje preciso ser feliz, sair á rua, respirar bem fundo, e gritar, libertar a mente de porcarias e purgar tudo o que está a mais, hoje preciso estar sozinho correr atrás da minha mente, controlar-me nos momentos irracionais de descontrolo, e tentar ser feliz.

Hoje sei que estou doente, tenho uma doença que só é boa se esta contagiar mais do que apenas uma pessoa, infelizmente só eu estou doente, como um enfermo deixado sozinho numa cama de hospital público.

Sei que neste momento não consigo controlar ou sequer explicar esta doença que me contagia. Doença esquisita mas que não é rara, porem nenhum médico me consegue diagnosticar a causa, a origem ou sequer arranjar uma cura.

Hoje sinto-me ferido por dentro mas ao mesmo tempo nasce em mim uma enorme força de viver, que controla todo no meu jeito de pensar e condiciona a minha forma de agir.

Esta doença só é detectável em certos momentos, naqueles momentos em que fico a olhar para o vazio perdido e a pensar, umas vezes com um sorriso nos lábios outras vezes com uma lágrima no rosto, com mudanças de humor repentinas sem explicação plausível.

Hoje quero me curar deste mal hoje quero ganhar sanidade nem que para isso tenha de extinguir um pouco a chama que me aquece a alma

Hoje estou determinado, ou talvez esteja armado em parvo, perdido e indeciso sei que preciso dar um passo a traz para poder seguir o meu caminho, sozinho curado, e mal amado.

Só hoje preciso de alguém, mas não quero estar com ninguém!"

J.P

My Way



Quantas vezes não pensaste já, que tudo o que ÉS hoje, foi devido às opções e decisões que tomaste ao longo da vida??

Pois é, tive a liberdade de ouvir a música daquele grande senhor, FRANK SINATRA "my away", com toda a minha atenção(a letra ).... a sensação foi... BOLAS, eu também tenho feito tudo à minha maneira.


Tomei opções que me fizeram rir, que me fizeram chorar,tive estados de ansiedade, estados de tristeza, misturados com felicidade e alegria.

Olho para o passado, e apesar de me arrepender de algumas coisas que fiz e de muita coisa que NÃO fiz, eu vivi...... a vida à minha maneira.

Cheia de descobertas, descobri e fui descoberto, amei e fui amado, sorri, chorei, gritei, sussurei,viajei, sonhei, desejei e fui desejado....fui e sou o que sou por tudo aquilo que fiz...e mais uma vez, vivi a vida À minha maneira.

TUDO ISTO PARA...... ACORDA, não te estejas sempre a LAMENTAR da vida que tens, porque se não estás satisfeito, a culpa é TODA TUA. Esforça-te, acredita, e vive a vida....à tua maneira!!


"And now, the end is near;
And so I face the final curtain.

My friend, Ill say it clear,

Ill state my case, of which Im certain.

Ive lived a life thats full.
Ive traveled each and evry highway;

And more, much more than this,

I did it my way.

Regrets, Ive had a few;
But then again, too few to mention.

I did what I had to do

And saw it through without exemption.

I planned each charted course;
Each careful step along the byway,

But more, much more than this,

I did it my way.

Yes, there were times, Im sure you knew
When I bit off more than I could chew.

But through it all, when there was doubt,

I ate it up and spit it out.

I faced it all and I stood tall;

And did it my way.

Ive loved, Ive laughed and cried.
Ive had my fill; my share of losing.

And now, as tears subside,

I find it all so amusing.

To think I did all that;
And may I say - not in a shy way,

No, oh no not me,

I did it my way.

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught.

To say the things he truly feels;

And not the words of one who kneels.

The record shows I took the blows -

And did it my way!"

Frank Sinatra "my way"

Mais um dia que passou...


"Mais um dia que passou, mais um que veio anteceder tantos outros.

Hoje sinto-me perdido, no vazio, num vazio repleto de promessas por cumprir, sinto que é tempo de receber o que é meu por direito, tudo aquilo que me foi prometido, mas que o destino não quis dar.

Amanha serei outro homem amanha vou lutar e reivindicar tudo o que um dia esteve para ser meu e nunca foi! Ou talvez fique parado, talvez fique como estou agora, imóvel a ver o meu futuro passar-me á frente, simplesmente porque é mais fácil, mais cómodo, menos problemático!

Acomodei-me a esta vida miserável de banal trabalhador que vive sem objectivos sem grande propósito de vencer. Hoje sou aquilo que mais desprezo sou igual a todos os outros, perdi a minha identidade única, que por me tornar diferente, me tornava livre, não precisava de obedecer a normas nem etiquetas apenas de ser quem sou, de mostrar ao mundo um ser único que nunca ninguém viu e que por ser único, seria capaz de mudar o mundo, o meu pequeno mundo, um mundo melhor que aquele que tenho hoje.

Talvez seja amanha o dia em que tudo muda, talvez se amanha acordar com força, para me levantar, do túmulo onde á muito tempo me deitei."


J.P

Tens tudo o que precisas


Em qualquer lado, entre o principio e o fim, EU perdi-te, mas encontrei-me.....

SOU, maior que GRANDE e mais forte que diamante..sou EU!

É o meu mundo, o melhor que tenho. Aqui...há sempre um harmonioso BOM dia e uma quente boa NOITE.

Não me perco com impulsos, nem com desejos da moda, não me perco com discusões parvas, nem com mentiras desnecessárias.....

Gosto daquelas pequeninas coisas....gosto da nostálgia de qualquer bom momento....gosto de tiii, gosto de MIM. Não pelo que sou, não por aquilo que me transformei, mas sim, por aquilo que um dia v0ooou SER!

Tenho em mim, tudo o q preciso!!!!

Num banal fechar de olhos, respiro fundo e......concretizo mais um sonho. Acreditar...Torna as coisas bem reais, acreditas????

Oiço o que penso a sós....não há segredos, quero ser EU, quero ser realmente Eu.

Tenho em mim, tudo o que preciso!!!
Tu tens em ti, tudo o que precisas!!!
Nós temos tudo o que precisamos!!

Acreditas??


Filipe Almeida

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Transparência


Na minha perspectiva, continuamos a ver só o que desejamos ver, tal e qual como um capricho que não queremos mudar. Esta incongruência do psicológico, é o facto evidente para não termos a habilidade de ver a transparência do abstracto ou do real fundamentado. Ser moderado não chega para a atribuição desse dom, há que saber ser depreciativo e ver para além da beleza superficial, é assim que defino transparência.
A dicotomia do pensamento termina no preciso momento em que este surge, são esses actos lancinantes que nos fazem recear a falsa partilha das diferenças. Diferenças que não mudam…Se é o fim, tens esperança, mas se for o início, entras em estado de desespero; é assim que a transparência se torna numa vicissitude precária. Estamos sempre atrasados, um atraso, em que o tempo é apenas um espaço imutável onde a transparência surge apenas, quando já não a desejas ver.


Filipe Almeida
Foto:Emily Purnhagen Broering

sábado, 25 de setembro de 2010

Amizade

"A natureza ensina-nos coisas belas, por vezes de coisas banais e naturais que sempre vimos e nunca reparámos com a atenção devida.

Se tivermos um minuto para olhar com olhos de ver, conseguimos chegar a conclusões e comparações que nos dão que pensar.

A vida de uma planta é como a paixão.

Numa paixão tudo começa como um rebentar de uma flor. Timidamente e aos pouco esta vem aparecendo no meio das banais folhas verde, lentamente vem dando cor e alegria á planta, esta simples flor vem com um fim, libertar o seu pólen e dar às outras flores um pouco de si, mas tudo o que é belo não dura para sempre e da mesma forma que esta pequena flor aparece, certo dia, começa a murchar, lentamente esta vai perdendo suas pétala sua cor, no fundo toda aquela graça inicial que tinha.

Na forma como eu vejo a vida, a paixão é um pouco como esta pequena flor, vive intensamente, e morre lentamente, porem a flor com o pouco pólen que recebeu de outra flor, como quem troca sentimentos e os mantém guardados lá bem no fundo do seu ser, consegue gerar uma pequena semente, uma pequena semente que se for bem cuidada, pode gerar uma pequena planta, a planta da amizade, uma planta frágil e pequena que se for bem tratada, um dia será uma enorme árvore capaz de resistir a intempéries.

Espero que a pequena semente que tenho para oferecer seja bem cuidada, que com a ajuda dos dois não murche antes de se tornar uma bela árvore."

J.P

Escravos do Luxo

“Enquanto lutava, via as pessoas falar em nome da liberdade, e quanto mais defendiam este direito único mais escravas se mostravam dos desejos dos seus pais, de um casamento onde prometiam ficar com o outro “para o resto da vida”, da balança, das dietas, dos projectos interrompidos a meio, dos amores aos quais não se podia dizer “não” ou “basta”, dos fins-de-semana em que eram obrigadas a comer com quem não desejavam. Escravas do luxo, da aparência do luxo, da aparência da aparência do luxo. Escravos de uma vida que não tinham escolhido, mas que tinham decidido viver – porque alguém acabou por convencê-los de que aquilo era o melhor para eles. E assim seguiam os seus dias e noites iguais, em que a aventura era uma palavra num livro ou uma imagem de televisão sempre ligada, e, quando qualquer porta se abria, diziam sempre: “ Não interessa, não tenho vontade.”

Paulo Coelho, “O zahir”
Foto: Mariana Dias

Hands On Approach - Black Tears

Artista da Semana: Hands On Approach

Álbum: High and Above

Música: Black Tears

Recomendação: 4,5/5

O verdadeiro consumismo

"Os amores são para ser vividos, sonhá-los não basta. São para se consumir, até que morram, talvez, mas sem medo, com ganas, com desejo, com vontade, como se não houvesse amanhã, porque, em abono da verdade, ninguém pode saber se amanhã, precisamente à hora em que escrevo estas palavras, ainda cá estaremos, eu, tu, qualquer uma das pessoas que amamos."

Margarida Rebelo Pinto, “O Dia Em Que Te Esqueci

O Poder Feminino

“As mulheres possuem uma maldade própria e secreta, que se manifesta de forma subtil em pequenos gestos e comentários sarcásticos para quem está de fora, e que na intimidade atinge níveis de terrorismo emocional de tal forma elevados que podia facilmente tornar-se objecto de estudo da Amnistia Internacional. É a nossa vingança; os homens lutam para fora, nós para dentro. Vocês erguem espadas e espingardas, nós levantamos a confusão e criamos a discórdia. Vocês afiam as lâminas, nós afiamos a língua. Vocês querem vencer o inimigo fora de portas, nós inventamos o inimigo do lado de dentro das paredes. Se, por qualquer motivo caem no labirinto do desencanto, somos capazes de tecer a mais pérfida das teias até vos roubarmos todas as armas, todas as defesas e vos deixarmos sufocados e paralisados, vítimas de uma armadilha fatal. Não somos melhores nem piores, apenas lutamos de forma diferente e em nome de outras causas, porque, embora feitos da mesma matéria, não sentimos o mundo da mesma maneira.”

Margarida Rebelo Pinto, “O Dia Em Que Te Esqueci

A perfeição da miragem

“Imagina que as cores se foram separando até chegar às primitivas e que, quando as misturo, não me engano. Entendes o que aqui escrevo? É preciso saber separar as águas, as cores, o coração da cabeça, a paixão do amor, a realidade da ficção, ainda que por vezes nos enganemos e tomemos o certo pelo errado ou vice-versa. (…) Querer e conseguir não são o mesmo; só consegues quando queres, o contrário não é possível. Escrevo para me ler e para me ouvir, porque também preciso das minhas palavras. Preciso que elas me alimentem sem que ao mesmo tempo me matem. Palavras de alento e de esperança, agora com os pés na terra, em vez de voar como um pássaro atrás de quimeras. Quantas vezes os oásis mais desejados não passam de miragens!”

Margarida Rebelo Pinto, “ O Dia Em Que Te Esqueci”
Foto: Cícero Lee

José James - Detroit Loveletter

Artista da Semana: José James

Álbum: Black Magic

Música: Detroit Loveletter

Recomendação: 4/5


Ausência I


A explicação natural da minha ausência:

I) 2 semanas de Férias.

II) Interrupção da vida rotineira para o início de um segundo ciclo.

Resumindo, VOLTEI!

P.S - Li algumas obras literárias durante as férias, que primeiramente, vão ser alvo de toda a minha atenção. ( De momento, estou a "apaixonar-me" pelo título Crónica do Pássaro de Corda, do Haruki Marukami)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

The Cooper Temple Cause - Blind Pilots

Artista da Semana: The Cooper Temple Cause

Álbum: Kick up the fire and let the flames break loose

Música: Blind Pilots

Recomendação: 4/5

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Não Arde, Mas Queima.

A tentação queima a sombra que nos distancia e o que era pequeno, torna-se enorme vezes sem conta, até se tornar estranho. Dói sempre que me tentas, Dói sempre que te aproximas, Dói sempre…, sempre que arde. Lês a minha pele com os teus dedos e culpas a chuva por momentos censuráveis. Sabes que a dor é o alívio para antecedentes insistentes e tudo o que é oferecido são condolências prematuras. Talvez prefira que este segundo doa, talvez consiga ver a beleza de uma lágrima, talvez já não saiba como era bom, talvez a realidade visível não seja tal e qual como a vemos. Se a tentação te queima, não deixes arder por muito tempo, deixa apenas o tempo necessário, para que seja uma viagem em que possas sempre voltar.

Filipe Almeida

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

The Airborne Toxic Event - Wishing Well

Artista da Semana: The Airborne Toxic Event

Álbum: The Airborne Toxic Event

Música: Wishing Well

Recomendação: 4,5/5

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pobre Riqueza

À nascença não te deixaram escolher o que querias ser e desde logo te prometeram a felicidade desejada por tantos, A riqueza. Nos teus olhos corre a alegria de um crime perfeito, mas nas tuas veias, flui a incapacidade de lutar pelos desejos da tua alma. O que tens em comum com o comum? NADA. O que tens para mostrar? NADA. O que ganhas com tanta ostentação? NADA. Nunca ponderaste a clemência do mérito, quando para ti a escolha é um acto tão singelo. Levas um pedaço de alma, completamente obscuro pela inutilidade do ter, sem ter de sofrer. É assim, que ganhas essa arrogância familiar, que cria uma soberania disfarçada, por desejos corrompidos pela ausência do esforço. Eu que lutei pelo desejo de ter, não tenho receio de perder. Tu que nunca soubeste o que é desejar, perderás a primazia do teu mundo, por não saber lutar. Darei sempre mais valor à minha riqueza, que a qualquer momento na tua soberania fantasiada, e para que saibas, a riqueza não está aí, a riqueza está no que não consegues ter.


Filipe Almeida
Foto: Diogo Drigo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"Verbar"

Argumentar, se queres discordar
Silenciar, quando não sabes argumentar


Beijar, se não sabes silenciar
Amar, quando sentes o desejo de beijar

Apaixonar...se não sabes amar
Questionar, quando não entendes o apaixonar

Recordar, se não há intenção de questionar
Contemplar, quando emerge a alegoria do recordar.


Filipe Almeida

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Robert Francis - Junebug

Artista da Semana: Robert Francis

Álbum: Before nightfall
Música: Junebug
Recomendação: 3/5


Repreender o orgulho

Cruzas os braços, como se quisesses abraçar aquele momento, num passado em que recusas pertencer. Ouves as preces de quem deixou apenas um vazio e a genialidade da certeza. Sento-me agora sobre o aconchego destes segundos celestiais e percorro os pensamentos como um relâmpago, chamo-lhe retrospectiva da vida. Ao contrário da minha definição, há quem subjugue a dúvida, com um simples jogo da “roleta russa”, respiras fundo, aquele fundo que faz doer e reduzes o silêncio à (im)possibilidade de acreditar no destino. Diz-lhe, isso não é viver! Não tenhas receio, se hoje ignoraste o impensável, amanhã poderás dar valor à possibilidade de acontecer.

Filipe Almeida
Foto: Vitor Ribeiro

Em busca da riqueza


"Não nos engane a riqueza,
Porque tanto esmorecemos,
Trás que vamos;
Já que temos a certeza
Que, quando mais a queremos,
A deixamos.

Gastamos em alcançá-la
A vida; e quando queremos
Usar dela,
Nos tira a morte lográ-la;
Assi que Deus a perdemos
E a ela."

Luís Vaz de Camões, " As cartas - Escrita de Ceuta"

domingo, 8 de agosto de 2010

Tired Pony - Point me at lost islands

Artista da semana: Tired Pony

O Cd com o título "The Place We Ran From", é o 1º álbum dos "Tired Pony", um novo projecto que tem uma cara bem conhecida dos palcos musicais, Gary Lightbody dos "Snow Patrol".

Recomendação: 4/5



Epopeia Vinculada

Não há palavras mágicas, nas epopeias desejadas pelo pensamento
Não há toques afáveis, que tragam promessas infindas
Há apenas um conhecimento renunciado, por momentos já sentidos
Cismático, reclamas por essa esperança simulada, onde deitas a tua felicidade.


Vejo esta luta de almas.
Vejo o que não devia ver.
Vejo a timidez e o teu rosto corado.
Vejo carne com carne.
Vejo as ondas que não trazem água.
Vejo a energia que nos deixa cansados.
Vejo esta doença extática que dá forma aos lençóis.
Vejo o errado, parecer correcto.


A transformação da epopeia num epitáfio sorridente,
dá azo a uma clausura temida pela adversidade da satisfação.
Foges, para receber algo inerte que te provoque a expiação,
uma vez que a tua liberdade, sempre foi uma fragilidade demente.

Filipe Almeida
Foto: Sílvia Antunes

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quem somos?


Mais um excelente texto com toda a sumptuosidade do J.P.

"Somos como fogo e chuva
Somos elementos diferentes
Somos como Vénus e Marte
Somos estrelas diferentes
Somos como o Verão e o Inverno
Somos estações diferentes
Somos oito ou oitenta
Somos números diferentes

Por vezes sou como o fogo queimo tudo ao meu redor reduzo sentimentos a cinzas faço chorar quem tudo perde por minha causa, felizmente, tu és a chuva que acalma esta chama infernal fazes de mim uma pequena labareda que parece ter medo de queimar, somos diferentes, porem muito iguais.

Somos como dois deuses tu és Vénus com toda a tua beleza e sensualidade, eu sou Marte o deus possante da Guerra. Juntos somos um só ser, um novo deus do Olimpo.

Eu por vezes sou frio como o inverno, tu és quente como o Verão juntos, somos a mais bela das estações, a estação em que todos os animais se sentem enamorados, juntos somos a primavera.

Muitas vezes tu és oito e eu sou oitenta mas se o oito não existisse, também não havia oitenta.

Podemos nada ter em comum, podemos ser o oposto mas junto somos muito mais que apenas dois indivíduos com defeitos, juntos somos quase perfeitos!"


J.P

domingo, 1 de agosto de 2010

Foals - Spanish Sahara

Na beleza do meu deserto, também foste fantasma.

A força da vontade

"Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obstáculos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que está disposto a todos os sacrifícios para cumprir a missão que a si próprio se impôs. Atento ao mundo exterior, para que não falte nenhuma oportunidade de pôr em prática o pensamento que o anima, não deixa que ele o distraia da tensão interna que lhe há-de dar a vitória; tem os dotes do político e os dotes do artista, quer modelar o mundo segundo o esquema que ideou. Não se trata, claro, de um triunfo pessoal; em história da cultura não há triunfos pessoais; ou a vontade é pura e generosa, nitidamente orientada ao bem geral, ou mais cedo, mais tarde, se há-de quebrar contra vontades de progresso mais fortes que ela. Que o querer tenha sua origem e seu apoio em coração aberto à nobreza, à beleza e à justiça; de outro modo é apenas gume fino e duro de faca; por isso mesmo frágil, na sua aparente penetração e resistência. Vontade inteligente, e não manhosa, altruísta, e não virada ao sujeito, pedagógica, e não sedenta de domínio; a esta pertencem os séculos por vir: é a voz a que surgem; a outra estabelece os muros que ainda tentam defender o passado."

Agostinho da Silva,"Considerações"

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Arrepio

Está presente num qualquer momento da vida e tem a capacidade de tornar visível o que irremediavelmente queremos esconder, Os sentimentos.

Na veemência do sopro, na pedra de gelo que percorre a tenacidade da pele, numa gota de água perdida entre o suor e a chuva, num toque desejado, no atrito entre o giz e a ardósia, na delicadeza do beijo, no calor compadecido, na amenidade do vazio, no prazer que vagueia entra a paixão e o amor, na beleza dos olhares ilícitos, o “ai”, o “hum”, o Desejo, o sossego da noite, a folha de papel, o deleito da surpresa, a melodia da voz, a intensidade da música, as palavras harmoniosas, as lágrima sentidas, o paladar categórico da perfeição, a susceptibilidade do pescoço

Filipe Almeida

P.S - Deixo o texto com reticências, para o caso de quererem acrescentar (terei todo o gosto em colocar no meu texto), outras situações que provoquem o arrepio.

Joss Stone - what were we thinking

Com 26ºc à noite, era capaz de me imaginar num alpendre de uma casa na praia, numa daquelas cadeiras enormes de baloiço, a sentir a brisa do mar e a ouvir a rebentação das ondas com a Joss Stone como música de fundo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O que os olhos não vêem

"Aos outros dou tudo o que sou, divido-me, repartindo-me entre todos, poucos são os que me viram triste poucos são aqueles, que realmente me viram.

Ninguém me conhece, tenho o defeito de nunca ser levado a sério como se a minha opinião ou vontade não importa-se, talvez seja invisível aos olhos dos outros, talvez viva num mundo onde não me consigo Adaptar.

Todos os dias procuro o meu lugar o meu posto, o palco onde posso falar, ser ouvido e compreendido pelos outros. Talvez os outros não tenham culpa talvez, talvez eu seja de tal modo diferente que ninguém me consiga ver. Talvez não me consigam ver porque para isso precisam de mais do que a visão precisam de me ver nos pequenos gestos nas pequenas coisas que passam despercebidas, aquelas pequenas coisas que elevam a besta a bestial. Talvez seja uma besta porque não vêem o bestial que sou, talvez só vejam coisas grandes e eu apenas viva de pequenas coisas, as coisas que me fazem feliz.

Talvez um dia o mundo mude, ou talvez um dia eu me entregue ao banal, talvez um dia seja eu a mudar. "

J.P

terça-feira, 27 de julho de 2010

Força Selvagem


“O amor é uma força selvagem. Quando tentamos controlá-lo, ele destrói-nos. Quando tentamos aprisioná-lo, ele escraviza-nos. Quando tentamos entendê-lo, ele deixa-nos perdidos e confusos.”

Paulo Coelho, “O Zahir”
Foto: Sérgio Oliveira

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Local Natives - Cubism Dream

Tudo o que desperta sensações, não é perecível ao tempo!


O perto que é longe

Não te reges pela mesma sensibilidade que as tuas congéneres companhias e é fácil perceber o seu constrangimento, perante o prazer da tua expressividade. Os ciúmes invadem a alma das pessoas que te rodeiam. Também tu danças…o mesmo som, a mesma coreografia, a mesma intensidade de movimentos, mas com uma sensualidade distinta, que te transporta numa magia ilusória, que ainda não sabes manusear. Nesse jogo das diferenças, até vendado seria o mais perspicaz. Paixão secreta. A minha timidez é apenas instinto de uma realidade desfavorável, onde a indeterminação beija a certeza deste pensamento audaz.

És tão genial, que eu próprio não te consigo entender. É como olhar para a perfeição com uma dioptria elevada, onde a beleza só é perceptível aos olhos de quem sabe ver com o coração. És um veneno volátil, uma perdição fantasiada, um verbo sem significado. A tua magia nunca conseguirá vencer o tempo e a minha timidez jamais mergulhará na ilusão dessa realidade. Eu tenho a pergunta errada e tu a resposta certa!

Ficaremos sempre assim, o meu sorriso tímido e a tua sensualidade mágica.


Filipe Almeida

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Paredes Brancas

Este texto é da autoria de outro sentimentalista, um amigo, um colega. Obrigado pela partilha J.P.


"Olho as paredes brancas, Fico á espera imóvel, de um sinal teu, fico tão quieto, que nem me sinto respirar, parado no tempo e no espaço como se não existisse, incapaz de mover um músculo, incapaz ser alguém.
Apenas á espera de um sinal, algo teu, algo que não sendo teu te defina, algo simples mas perfeito, procuro e procuro imóvel a olhar as paredes, cansado de correr minha mente procurando algo que não seja teu. Encontro-te em cada esquina em cada olhar em cada local do meu inconsciente, és rainha soberana, és o ser mais belo és a tal, alma gémea capaz de me libertar desta jaula imóvel onde vivo, onde escrevo e onde perco horas de vida sem fazer nada, parado imóvel, incapaz de viver.
Mas o mundo não pára, lá fora brincam os putos com uma bola nos pés, um sonho que chutam na esperança de ser alguém, um sonho que os faz correr á busca de um novo futuro um futuro que não seja herdado dos pais das mães ou de toda a família que nunca teve nada, assim como eu corro por um sorriso teu, pelo meu futuro a teu lado, pela ínfima probabilidade de ser bom o suficiente para não herdar tristezas mágoas ou desatinos pensar que algum dia poderei ser amado, pensar sequer que tu existes de verdade que não és simples invenção da minha cabeça do meu corpo, gritando por afecto por carinho. "

J.P

Improviso da Imaginação

Num diferente tom, repreendo a silhueta da sombra que me persegue, quando tudo o que desejo é a solidão. Descubro a mudança, quando o sol está mais alto, mesmo por cima do meu centro de gravidade, ou quando os meus passos têm a celeridade necessária para despistar aquele espião mais decidido. A ousadia é um prémio para quem não teme o fracasso e a sombra está sempre presente, dignificando a sua perseverança. A ironia grita uma melodia fria, onde a mente é uma ferramenta rudimentar da decisão…assim, continuamos a perder demasiado tempo em futilidades e nessa diligência transformamo-nos em criaturas do medo. Somos apenas imbecis, que não sabemos imaginar para além da realidade. As dúvidas nunca se tornaram em oportunidades e a revolução da indiferença cessa qualquer ímpeto de esperança. Sabendo que as coisas simples permanecem e as desejadas por vezes desvanecem, onde colocamos a simplicidade do improviso, se temos a capacidade de imaginar? Se acreditar que a minha alma é fogo e mesmo assim, tiver a coragem de mergulhar na espuma daquela onda, não terei o direito de conceder um sorriso ao sadismo da minha imaginação? A nossa existência vai muito além do planeado, é o improviso da imaginação que faz a rotura da uniformidade dos nossos passos, é o improviso que faz as recordações durarem para sempre.

Improvisa o silêncio, quando ele se torna pesado!


Filipe Almeida

sexta-feira, 9 de julho de 2010

É preciso elevar a pessoa ao lugar do espanto

"Quase, é uma palavra notável. Todas as pessoas deviam ter por nome próprio quase. Eu sou quase, tu és quase, ele é quase, nós somos quase. Quase qualquer coisa que não chega a ser quase. Uma equação quase perfeita. Um número quase redondo que só existe dentro das nossas cabeças ligadas por fios primorosos. Fios de aço que amarram a loucura e a mantêm obediente. Não pretendas ser mais. As lágrimas que te escorrem pela cara desenham traços de temperatura variável. Continuam a surgir frases por escrever, amores inacabados. O amor é sequioso como uma planta. O melhor é a água. Não há outra maneira. A felicidade é coisa que acontece tarde. Da qual só se tem notícia depois de ter sido. Quando alguém clama: sou feliz, está a preparar-se para a desgraça. Imensas são as coisas que só existem no tempo passado. Não há vagas, quer no inferno, quer no paraíso. Suceder já quer dizer sucedido, porque triunfar é um verbo a morrer. Há em mim qualquer um que tem saudades de si. Saudades imperiosas, bruscas, inevitáveis. Continuo a ignorar para onde foi o que fui, em que casas acordam as pessoas que amei. Dói quase. Assim, sempre assim. Uma espécie de distância que não pode ser percorrida."


Pedro Paixão "É preciso elevar a pessoa ao lugar do espanto"

Deixa

Fecha a porta e deixa-me contar porque sou assim. Deixa-me unir estas duas almas, deixa-me sentir a conquista desse respirar. Só te contam mentiras e a verdade é apenas uma oportunidade para te ofender. O talvez, surge num meio espectral, onde ninguém consegue ter a perícia de organizar esse emaranhado de sonhos. Regozijo de uma solidão diligente, em que o quase, é demasiado lento para conseguir contemplar esse momento.

É o aviso, para este caos iminente. Manifesto esta sensação, de ter um coração insuperável, portanto se não tens a certeza, não me tentes. Escureceu e os segredos, já não se precisam de esconder, é assim que contínuo embaixador do meu lugar.

Deixa de perguntar quem sou Eu e vem-me procurar!
Filipe Almeida

Irmãos de Sangue



Há sempre um retorno nas promessas que nos fazem sorrir. Não é apenas uma história, é o completar de todos aqueles espaços vazios, que nos fazem permeáveis à contingência desta sociedade.

Valeu a pena seres paciente...como sempre fomos. Nunca traçamos metas impossíveis de alcançar e sempre tivemos a imaginação necessária para acreditar que, se não acontecer hoje, poderá acontecer amanhã. Pelos dias em que não fomos pacientes, aqui estávamos nós, em confidências unívocas, para que a imprudência não fosse má conselheira.

O sorriso das tuas palavras e os gestos meigos do teu movimento, são consequência do estado de júbilo, em que te encontras. Sabe bem ouvir-te, sabe bem observar-te. És agora exemplo para mim, assim como eu um dia, já fui para ti.

Eu sou um passageiro da tua felicidade, portanto continua a ser FELIZ!! =)


Filipe Almeida

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Bon Iver - Re: Stacks

Adoro sonhar com o impossível, por momentos, parece que lhe toco, o suficiente para dizer "Quase....!"

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Chegou aquele momento... a insipidez destes dias terminaram e em breve vou entrar na monotonia das minhas palavras.

A indiferença pouco me importa, vou continuar a cansar estes dias quentes e subjugar o conforto com os meus sentimentos.

Não o faço por ti, não o faço por mim, não o faço por ninguém, faço-o apenas pelo prazer da recordação.

Filipe Almeida

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago 1922-2010









Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

José Saramago, "Os poemas possíveis"

domingo, 16 de maio de 2010

A contagem

Vão ser 50 dias, até voltar a escrever aqui.

E como um sorriso faz sempre falta, "SORRI, SOU REI"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tenho tanto sentimento (Não é um FIM)

Hoje decidi dar um tempo ao sentimento, não é um fim, é apenas um desejo, de não apriosionar a inspiração. Voltarei, porque sou incapaz de não ter uma vida dividida( vejam o poema do Fernando Pessoa). O que seria da vida vivida, sem ser pensada? Aos meus "seguidores", Obrigado e Até Breve!

"Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Epílogo, parte I

O desejo, é esta a minha profilaxia contra os dias maus e hoje, estou demasiado longe da tua protecção. Sem perguntar porquê, escondo-me em sentimentos díspares e mesmo quando fecho os olhos, vejo a apatia da minha ambição. Procuro a reflexão, procuro a volúpia dos sonhos, procuro esse local quente, onde o sol consegue rasgar a imensidão desse algodão figurado. Preciso de olhar para as nuvens e dar azo à imaginação, preciso de sentir a indiferença do tempo. Numa dança suspensa com a atmosfera, eu recrio a realidade nessa tela azul, onde o vento dá vida às criações e a chuva atenua a poeira provocada pelo movimento indolente, de quem não tem a capacidade de sonhar. Sinto que estou a ficar demasiado perto de mim.

Filipe Almeida
Foto: Paulo F.

Se - "IF, Rudyard Kipling"

Se

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Conta me como foi

Conta me como foi.....

No mar, ouvimos o pensamento de quem já foi saudade.
No deserto, imaginamos o que seria estar, ao lado da sombra de quem amamos!
Na cidade, entregamo-nos à tentação do pecado tentado.
Na "terra", respiramos a nostalgia da infância.

Com vontade de triunfar,fintamos a solidão do tempo,
enfrentamos adversidades naturais e a gélida companhia do fracasso

Sorrimos com um pensamento....choramos com um dialecto sentido.


FRAGÉIS!!!
Fazemos a nossa própria guerra.


Caminhamos juntos no turbilhar de momentos,
onde o impulso é inimigo do verbo agir.
Ficamos transparentes, quando sentimos o fogo do olhar
despidos do preconceito, "eu desejo te"!!

Julgas que a pintura que delimitas no teu intimo
é apenas uma miragem,
que a ansiedade mata qualquer estimulo de esperança.
A tua eloquência....

Transforma-te,
Deixas de ser aquisitivo...o querer dá lugar ao sonho,
E tu passas a actor amador, que anseia pelo louvor de um aplauso.

Ninguém te disse o que devias ser,
e o tempo cai num paradigma, que
serve de tónico para o teu..tímido sorriso.


Vestes a panóplia invisível e....


Conta me como foi!!

Como descobriste a flor?
Como descobriste o jardim?
Como descobriste a primavera?
Como descobriste o oferecer?

Conta me como foi!!

Como descobriste a noite?
Como descobriste o mimo?
Como descobriste o toque?
Como descobriste o suspiro?

Conta me como foi!!

Como descobriste o respirar?
Como descobriste a ferida?
Como descobriste a alma?
Como descobriste o acreditar?

Conta me como foi!!

Como descobriste o olhar?
Como descobriste o amor?
Como descobriste o sonho?
Como descobriste o querer?

Ao ouvido, em jeito de segredo ilícito,
Conta-me como foi....

Filipe Almeida

terça-feira, 11 de maio de 2010

Curtas VII- Pirilampo

" O pirilampo apaixonado por uma estrela...é coisa que se aguenta por pouco tempo..."

Assim como o pirilampo perde a luz, a estrela também deixa de brilhar. Mas que diferença faz?

Talvez dure só até ao amanhecer ou enquanto o céu não está nublado...