segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quem somos?


Mais um excelente texto com toda a sumptuosidade do J.P.

"Somos como fogo e chuva
Somos elementos diferentes
Somos como Vénus e Marte
Somos estrelas diferentes
Somos como o Verão e o Inverno
Somos estações diferentes
Somos oito ou oitenta
Somos números diferentes

Por vezes sou como o fogo queimo tudo ao meu redor reduzo sentimentos a cinzas faço chorar quem tudo perde por minha causa, felizmente, tu és a chuva que acalma esta chama infernal fazes de mim uma pequena labareda que parece ter medo de queimar, somos diferentes, porem muito iguais.

Somos como dois deuses tu és Vénus com toda a tua beleza e sensualidade, eu sou Marte o deus possante da Guerra. Juntos somos um só ser, um novo deus do Olimpo.

Eu por vezes sou frio como o inverno, tu és quente como o Verão juntos, somos a mais bela das estações, a estação em que todos os animais se sentem enamorados, juntos somos a primavera.

Muitas vezes tu és oito e eu sou oitenta mas se o oito não existisse, também não havia oitenta.

Podemos nada ter em comum, podemos ser o oposto mas junto somos muito mais que apenas dois indivíduos com defeitos, juntos somos quase perfeitos!"


J.P

domingo, 1 de agosto de 2010

Foals - Spanish Sahara

Na beleza do meu deserto, também foste fantasma.

A força da vontade

"Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obstáculos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que está disposto a todos os sacrifícios para cumprir a missão que a si próprio se impôs. Atento ao mundo exterior, para que não falte nenhuma oportunidade de pôr em prática o pensamento que o anima, não deixa que ele o distraia da tensão interna que lhe há-de dar a vitória; tem os dotes do político e os dotes do artista, quer modelar o mundo segundo o esquema que ideou. Não se trata, claro, de um triunfo pessoal; em história da cultura não há triunfos pessoais; ou a vontade é pura e generosa, nitidamente orientada ao bem geral, ou mais cedo, mais tarde, se há-de quebrar contra vontades de progresso mais fortes que ela. Que o querer tenha sua origem e seu apoio em coração aberto à nobreza, à beleza e à justiça; de outro modo é apenas gume fino e duro de faca; por isso mesmo frágil, na sua aparente penetração e resistência. Vontade inteligente, e não manhosa, altruísta, e não virada ao sujeito, pedagógica, e não sedenta de domínio; a esta pertencem os séculos por vir: é a voz a que surgem; a outra estabelece os muros que ainda tentam defender o passado."

Agostinho da Silva,"Considerações"

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Arrepio

Está presente num qualquer momento da vida e tem a capacidade de tornar visível o que irremediavelmente queremos esconder, Os sentimentos.

Na veemência do sopro, na pedra de gelo que percorre a tenacidade da pele, numa gota de água perdida entre o suor e a chuva, num toque desejado, no atrito entre o giz e a ardósia, na delicadeza do beijo, no calor compadecido, na amenidade do vazio, no prazer que vagueia entra a paixão e o amor, na beleza dos olhares ilícitos, o “ai”, o “hum”, o Desejo, o sossego da noite, a folha de papel, o deleito da surpresa, a melodia da voz, a intensidade da música, as palavras harmoniosas, as lágrima sentidas, o paladar categórico da perfeição, a susceptibilidade do pescoço

Filipe Almeida

P.S - Deixo o texto com reticências, para o caso de quererem acrescentar (terei todo o gosto em colocar no meu texto), outras situações que provoquem o arrepio.

Joss Stone - what were we thinking

Com 26ºc à noite, era capaz de me imaginar num alpendre de uma casa na praia, numa daquelas cadeiras enormes de baloiço, a sentir a brisa do mar e a ouvir a rebentação das ondas com a Joss Stone como música de fundo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O que os olhos não vêem

"Aos outros dou tudo o que sou, divido-me, repartindo-me entre todos, poucos são os que me viram triste poucos são aqueles, que realmente me viram.

Ninguém me conhece, tenho o defeito de nunca ser levado a sério como se a minha opinião ou vontade não importa-se, talvez seja invisível aos olhos dos outros, talvez viva num mundo onde não me consigo Adaptar.

Todos os dias procuro o meu lugar o meu posto, o palco onde posso falar, ser ouvido e compreendido pelos outros. Talvez os outros não tenham culpa talvez, talvez eu seja de tal modo diferente que ninguém me consiga ver. Talvez não me consigam ver porque para isso precisam de mais do que a visão precisam de me ver nos pequenos gestos nas pequenas coisas que passam despercebidas, aquelas pequenas coisas que elevam a besta a bestial. Talvez seja uma besta porque não vêem o bestial que sou, talvez só vejam coisas grandes e eu apenas viva de pequenas coisas, as coisas que me fazem feliz.

Talvez um dia o mundo mude, ou talvez um dia eu me entregue ao banal, talvez um dia seja eu a mudar. "

J.P

terça-feira, 27 de julho de 2010

Força Selvagem


“O amor é uma força selvagem. Quando tentamos controlá-lo, ele destrói-nos. Quando tentamos aprisioná-lo, ele escraviza-nos. Quando tentamos entendê-lo, ele deixa-nos perdidos e confusos.”

Paulo Coelho, “O Zahir”
Foto: Sérgio Oliveira

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Local Natives - Cubism Dream

Tudo o que desperta sensações, não é perecível ao tempo!


O perto que é longe

Não te reges pela mesma sensibilidade que as tuas congéneres companhias e é fácil perceber o seu constrangimento, perante o prazer da tua expressividade. Os ciúmes invadem a alma das pessoas que te rodeiam. Também tu danças…o mesmo som, a mesma coreografia, a mesma intensidade de movimentos, mas com uma sensualidade distinta, que te transporta numa magia ilusória, que ainda não sabes manusear. Nesse jogo das diferenças, até vendado seria o mais perspicaz. Paixão secreta. A minha timidez é apenas instinto de uma realidade desfavorável, onde a indeterminação beija a certeza deste pensamento audaz.

És tão genial, que eu próprio não te consigo entender. É como olhar para a perfeição com uma dioptria elevada, onde a beleza só é perceptível aos olhos de quem sabe ver com o coração. És um veneno volátil, uma perdição fantasiada, um verbo sem significado. A tua magia nunca conseguirá vencer o tempo e a minha timidez jamais mergulhará na ilusão dessa realidade. Eu tenho a pergunta errada e tu a resposta certa!

Ficaremos sempre assim, o meu sorriso tímido e a tua sensualidade mágica.


Filipe Almeida

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Paredes Brancas

Este texto é da autoria de outro sentimentalista, um amigo, um colega. Obrigado pela partilha J.P.


"Olho as paredes brancas, Fico á espera imóvel, de um sinal teu, fico tão quieto, que nem me sinto respirar, parado no tempo e no espaço como se não existisse, incapaz de mover um músculo, incapaz ser alguém.
Apenas á espera de um sinal, algo teu, algo que não sendo teu te defina, algo simples mas perfeito, procuro e procuro imóvel a olhar as paredes, cansado de correr minha mente procurando algo que não seja teu. Encontro-te em cada esquina em cada olhar em cada local do meu inconsciente, és rainha soberana, és o ser mais belo és a tal, alma gémea capaz de me libertar desta jaula imóvel onde vivo, onde escrevo e onde perco horas de vida sem fazer nada, parado imóvel, incapaz de viver.
Mas o mundo não pára, lá fora brincam os putos com uma bola nos pés, um sonho que chutam na esperança de ser alguém, um sonho que os faz correr á busca de um novo futuro um futuro que não seja herdado dos pais das mães ou de toda a família que nunca teve nada, assim como eu corro por um sorriso teu, pelo meu futuro a teu lado, pela ínfima probabilidade de ser bom o suficiente para não herdar tristezas mágoas ou desatinos pensar que algum dia poderei ser amado, pensar sequer que tu existes de verdade que não és simples invenção da minha cabeça do meu corpo, gritando por afecto por carinho. "

J.P

Improviso da Imaginação

Num diferente tom, repreendo a silhueta da sombra que me persegue, quando tudo o que desejo é a solidão. Descubro a mudança, quando o sol está mais alto, mesmo por cima do meu centro de gravidade, ou quando os meus passos têm a celeridade necessária para despistar aquele espião mais decidido. A ousadia é um prémio para quem não teme o fracasso e a sombra está sempre presente, dignificando a sua perseverança. A ironia grita uma melodia fria, onde a mente é uma ferramenta rudimentar da decisão…assim, continuamos a perder demasiado tempo em futilidades e nessa diligência transformamo-nos em criaturas do medo. Somos apenas imbecis, que não sabemos imaginar para além da realidade. As dúvidas nunca se tornaram em oportunidades e a revolução da indiferença cessa qualquer ímpeto de esperança. Sabendo que as coisas simples permanecem e as desejadas por vezes desvanecem, onde colocamos a simplicidade do improviso, se temos a capacidade de imaginar? Se acreditar que a minha alma é fogo e mesmo assim, tiver a coragem de mergulhar na espuma daquela onda, não terei o direito de conceder um sorriso ao sadismo da minha imaginação? A nossa existência vai muito além do planeado, é o improviso da imaginação que faz a rotura da uniformidade dos nossos passos, é o improviso que faz as recordações durarem para sempre.

Improvisa o silêncio, quando ele se torna pesado!


Filipe Almeida

sexta-feira, 9 de julho de 2010

É preciso elevar a pessoa ao lugar do espanto

"Quase, é uma palavra notável. Todas as pessoas deviam ter por nome próprio quase. Eu sou quase, tu és quase, ele é quase, nós somos quase. Quase qualquer coisa que não chega a ser quase. Uma equação quase perfeita. Um número quase redondo que só existe dentro das nossas cabeças ligadas por fios primorosos. Fios de aço que amarram a loucura e a mantêm obediente. Não pretendas ser mais. As lágrimas que te escorrem pela cara desenham traços de temperatura variável. Continuam a surgir frases por escrever, amores inacabados. O amor é sequioso como uma planta. O melhor é a água. Não há outra maneira. A felicidade é coisa que acontece tarde. Da qual só se tem notícia depois de ter sido. Quando alguém clama: sou feliz, está a preparar-se para a desgraça. Imensas são as coisas que só existem no tempo passado. Não há vagas, quer no inferno, quer no paraíso. Suceder já quer dizer sucedido, porque triunfar é um verbo a morrer. Há em mim qualquer um que tem saudades de si. Saudades imperiosas, bruscas, inevitáveis. Continuo a ignorar para onde foi o que fui, em que casas acordam as pessoas que amei. Dói quase. Assim, sempre assim. Uma espécie de distância que não pode ser percorrida."


Pedro Paixão "É preciso elevar a pessoa ao lugar do espanto"

Deixa

Fecha a porta e deixa-me contar porque sou assim. Deixa-me unir estas duas almas, deixa-me sentir a conquista desse respirar. Só te contam mentiras e a verdade é apenas uma oportunidade para te ofender. O talvez, surge num meio espectral, onde ninguém consegue ter a perícia de organizar esse emaranhado de sonhos. Regozijo de uma solidão diligente, em que o quase, é demasiado lento para conseguir contemplar esse momento.

É o aviso, para este caos iminente. Manifesto esta sensação, de ter um coração insuperável, portanto se não tens a certeza, não me tentes. Escureceu e os segredos, já não se precisam de esconder, é assim que contínuo embaixador do meu lugar.

Deixa de perguntar quem sou Eu e vem-me procurar!
Filipe Almeida

Irmãos de Sangue



Há sempre um retorno nas promessas que nos fazem sorrir. Não é apenas uma história, é o completar de todos aqueles espaços vazios, que nos fazem permeáveis à contingência desta sociedade.

Valeu a pena seres paciente...como sempre fomos. Nunca traçamos metas impossíveis de alcançar e sempre tivemos a imaginação necessária para acreditar que, se não acontecer hoje, poderá acontecer amanhã. Pelos dias em que não fomos pacientes, aqui estávamos nós, em confidências unívocas, para que a imprudência não fosse má conselheira.

O sorriso das tuas palavras e os gestos meigos do teu movimento, são consequência do estado de júbilo, em que te encontras. Sabe bem ouvir-te, sabe bem observar-te. És agora exemplo para mim, assim como eu um dia, já fui para ti.

Eu sou um passageiro da tua felicidade, portanto continua a ser FELIZ!! =)


Filipe Almeida

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Bon Iver - Re: Stacks

Adoro sonhar com o impossível, por momentos, parece que lhe toco, o suficiente para dizer "Quase....!"

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Chegou aquele momento... a insipidez destes dias terminaram e em breve vou entrar na monotonia das minhas palavras.

A indiferença pouco me importa, vou continuar a cansar estes dias quentes e subjugar o conforto com os meus sentimentos.

Não o faço por ti, não o faço por mim, não o faço por ninguém, faço-o apenas pelo prazer da recordação.

Filipe Almeida

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago 1922-2010









Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

José Saramago, "Os poemas possíveis"

domingo, 16 de maio de 2010

A contagem

Vão ser 50 dias, até voltar a escrever aqui.

E como um sorriso faz sempre falta, "SORRI, SOU REI"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tenho tanto sentimento (Não é um FIM)

Hoje decidi dar um tempo ao sentimento, não é um fim, é apenas um desejo, de não apriosionar a inspiração. Voltarei, porque sou incapaz de não ter uma vida dividida( vejam o poema do Fernando Pessoa). O que seria da vida vivida, sem ser pensada? Aos meus "seguidores", Obrigado e Até Breve!

"Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Epílogo, parte I

O desejo, é esta a minha profilaxia contra os dias maus e hoje, estou demasiado longe da tua protecção. Sem perguntar porquê, escondo-me em sentimentos díspares e mesmo quando fecho os olhos, vejo a apatia da minha ambição. Procuro a reflexão, procuro a volúpia dos sonhos, procuro esse local quente, onde o sol consegue rasgar a imensidão desse algodão figurado. Preciso de olhar para as nuvens e dar azo à imaginação, preciso de sentir a indiferença do tempo. Numa dança suspensa com a atmosfera, eu recrio a realidade nessa tela azul, onde o vento dá vida às criações e a chuva atenua a poeira provocada pelo movimento indolente, de quem não tem a capacidade de sonhar. Sinto que estou a ficar demasiado perto de mim.

Filipe Almeida
Foto: Paulo F.

Se - "IF, Rudyard Kipling"

Se

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Conta me como foi

Conta me como foi.....

No mar, ouvimos o pensamento de quem já foi saudade.
No deserto, imaginamos o que seria estar, ao lado da sombra de quem amamos!
Na cidade, entregamo-nos à tentação do pecado tentado.
Na "terra", respiramos a nostalgia da infância.

Com vontade de triunfar,fintamos a solidão do tempo,
enfrentamos adversidades naturais e a gélida companhia do fracasso

Sorrimos com um pensamento....choramos com um dialecto sentido.


FRAGÉIS!!!
Fazemos a nossa própria guerra.


Caminhamos juntos no turbilhar de momentos,
onde o impulso é inimigo do verbo agir.
Ficamos transparentes, quando sentimos o fogo do olhar
despidos do preconceito, "eu desejo te"!!

Julgas que a pintura que delimitas no teu intimo
é apenas uma miragem,
que a ansiedade mata qualquer estimulo de esperança.
A tua eloquência....

Transforma-te,
Deixas de ser aquisitivo...o querer dá lugar ao sonho,
E tu passas a actor amador, que anseia pelo louvor de um aplauso.

Ninguém te disse o que devias ser,
e o tempo cai num paradigma, que
serve de tónico para o teu..tímido sorriso.


Vestes a panóplia invisível e....


Conta me como foi!!

Como descobriste a flor?
Como descobriste o jardim?
Como descobriste a primavera?
Como descobriste o oferecer?

Conta me como foi!!

Como descobriste a noite?
Como descobriste o mimo?
Como descobriste o toque?
Como descobriste o suspiro?

Conta me como foi!!

Como descobriste o respirar?
Como descobriste a ferida?
Como descobriste a alma?
Como descobriste o acreditar?

Conta me como foi!!

Como descobriste o olhar?
Como descobriste o amor?
Como descobriste o sonho?
Como descobriste o querer?

Ao ouvido, em jeito de segredo ilícito,
Conta-me como foi....

Filipe Almeida

terça-feira, 11 de maio de 2010

Curtas VII- Pirilampo

" O pirilampo apaixonado por uma estrela...é coisa que se aguenta por pouco tempo..."

Assim como o pirilampo perde a luz, a estrela também deixa de brilhar. Mas que diferença faz?

Talvez dure só até ao amanhecer ou enquanto o céu não está nublado...

Des(ilusões)

Com a idade os meus pensamentos tornam-se mais maduros e se antigamente encontrava um caminho, hoje não me atrevo a pisar a linha que me guia.
Hoje sou eu que escrevo, na sombra desta luz artificial que retira o lustre em tudo aquilo que acredito, tento não esconder as palavras que tornam este instante num acto precário, onde as sinapses colidem vezes sem conta, transformando a química numa teoria física sem sentido, Hoje sinto medo! Num frémito desejo de não sentir, espero pelo o eco que me trouxe até aqui.

Não devia ser assim, não devia....Sem identidade perco a imunidade que os sonhos construiram, fico susceptível à desilusão e para este pequeno mundo sou apenas um ponto fixo, onde o momento resultante se torna nulo.

Abro a minha alma aos medos e respiro a infinidade necessária para acreditar que nunca me perderei. Não há surpresas e sem explicação, também tu me pedes desculpa...


Filipe Almeida

Curtas VI - Lápis


" - Achas que isso é como os teus lápis? Achas que isso se gasta com o uso?
- Isso o quê?
- Os sentimentos. "


Anna Gavalda, "Enfim Juntos"
Foto: Pedro Fernandes

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sonetos Quase Mudos

SONETOS QUASE MUDOS

"Há o silêncio, às vezes, entre nós,
e é um silêncio denso, ou uma fala
críptica, uma linguagem que abdica
do som, para ser só a voz da alma...


Há súbitas catarses de palavras
em torrente, cachoeiras de espuma
efervescente, ou talvez a timidez
dos gestos reprimidos ou represos.


Há os olhos que dizem sem dizer,
há o fluido subtil de quem se entende
mais longe do que a vida nos permite.


E há a confiança na ausência,
há segredos sabidos sem saber,
manhãs comuns em cada amanhecer. "

Rui Polónio Sampaio

Inventa a vida



A compreensão não se desenvolve apenas quando mergulhas no cerne do suposto, e por isso, gastamos o tempo todo, a procurar nomes para o que não entendemos. O exponencial, já foi especial, assim como o sentido das palavras que não compreendes.

A melodia enriquece o lado errado do teu mundo, és prentensioso e continuas a ensaiar o movimento perfeito para aquilo que sentes, mas que não consegues ver.
O meu incunábulo foi escrito numa pauta bem delineada, onde o destino é o maestro responsável pelo ritmo certo.
Os olhos continuam fechados e ainda tremo com a intensidade das notas que produzes (respira)... Essa sinfonia, será o interlúdio para aquilo que ainda não descobri.

Inventa a vida... e deixa a tua marca.


Filipe Almeida
Foto: Mário Cales

domingo, 2 de maio de 2010

Time passes, but...

One of my favorite songs ever!!!

"Is it for yourself, the way you talk...?
Explanations where never found
And it's so untrue, all you say when we're alone
I couldn't be like you...
I never tried...
I never would...!


Change your mind don't let me down.
I'm so sorry my tears are fallin'
Everytime I hear from you.
And i'm so angry my mind tells me
That in the end there's nothing new

I remember things we used to do
You know that just like you
I miss it too, I'm missing you...

Change your mind don't let me down.
I'm so sorry my tears are fallin'
Everytime I hear from you.
And i'm so angry my mind tells me
That in the end there's nothing new

I'm so sorry my tears are fallin'
Everytime I hear from you.
And i'm so angry my mind tells me
That in the end there's nothing new

I'm so sorry...!!!

There's nothing you...
There's nothing you..."




Wonderland - nothing new
Foto: João Coimbra

sábado, 1 de maio de 2010

Um dia(II)

Um dia, gostava de te ver roubar a minha masculinidade com a tua sensualidade...


( as minhas boxers, a minha camisa desapertada e a magia do teu sorriso)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Cheiro a Terra"

Tinha que ser hoje, enquanto a presença do perfume persiste com mais intensidade...são estes dias, em que o cheiro da roupa lavada, provoca a fraqueza de quem não quer partir e a ousadia de quem não sabe falar,

os reflexos não escondem o que sinto e se tenho saudade, é porque farás SEMPRE, parte de mim!


Filipe Almeida

terça-feira, 20 de abril de 2010

Enfim, Juntos

"(...) Dormia há mais de uma hora quando Camille - tão leve que só podia ser ela - veio visitá-lo em sonhos...

Infelizmente, ele não viu se ela estava nua... Estava estendida em cima dele. Coxas contra coxas, ventre contra ventre, ombro contra ombro.
Encostou os lábios ao seu ouvido e murmurou:

- Lestafier, vou-te violar...

Ele sorria, como no sonho, primeiro, porque era um belo delírio e depois porque a respiração dela lhe fazia cócegas.

- Sim... acabemos com isto... vou violar-te para ter uma boa desculpa para te abraçar... Mas não te mexas... Se te debateres, estrangulo-te, rapaz...

Ele quis aglutinar tudo, o corpo, as mãos e os lençóis, para ter a certeza de não acordar, mas alguém lhe agarrava os pulsos.
Pela dor, percebeu que não estava a sonhar e, porque sofria, compreendeu a sua felicidade.(...)"

Anna Gavalda, "Enfim, Juntos"

Há muita gente, que não compreende o que é um amor puro. Há poucas pessoas que o vivem, há poucas pessoas que o sentem e o mais estranho, é que há poucas pessoas que o desejam!

Eu não preciso de fechar os olhos para saber aquilo que desejo...

domingo, 18 de abril de 2010

Escondidas


Desde o princípio que nos ensinam a brincar às escondidas. Percorríamos com o olhar qualquer objecto, qualquer local, que nos prometesse a invisibilidade temporária, que nos garantisse a protecção necessária. Era assim, na nossa infância não havia medos, não havia incertezas, não julgávamos o sorriso, nem criticávamos o choro…tínhamos a inocência do acto, não receávamos o desejo, nem a queda.

A recordação não era apenas promessa, porque nesse tempo, não era preciso prometer para cumprir, era assim, por muito longo que fosse o caminho, estavas sempre preparado a tentar encontrar, quem de ti se queria esconder.

1,2,3,4,5,6,7,8,9….. Aqui vou EU!

Enquanto o tempo esconde, quem queres encontrar, tu dás voltas ao pensamento, procurando o momento da descoberta. Não te cansas de jogar e tornaste num aventureiro temido pelo tempo….e o tempo passa por ti, CRESCES.

Era assim,

E hoje já não és mentor da inocência, hoje precisas de promessas, hoje jogas às escondidas e não encontras quem queres encontrar.

Filipe Almeida

sábado, 17 de abril de 2010

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam

"Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte".

Alexandre O'Neill

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vês??

A fantasia enche-te de brilho, é assim que te vejo e quando atravessas essa linha, estás sempre um passo à minha frente. Se o fogo queima, porque é que ainda estou tão perto de ti? Continuas a consumir o meu tempo, mas o teu oxigénio não é o suficiente para reduzir a minha pele em cinzas.
Não são apenas os teus actos, é toda a história, que outrora fazia levitar por entre as ambições do desejo. Ainda me ouves rir? Afinal a intendência, também tem um fim e no final foi só o tempo que passou. Continuas letárgico e só consegues ver, quando fechas os olhos!!! A ironia não está nas palavras, está no olhar.

A minha mente diz-me, que a conquista não está na posse, mas sim no acto de não esquecer.

Fugiste numa melodia delicada, nessa languidez própria que te torna difícil de alcançar, é por isso que contínuo perdido, porque gosto de estar longe desse teu olhar.

Estás a um passo de descrever o som do prazer ( o mesmo que ontem estava esquecido), fechas a porta nesse lugar longínquo, onde apenas a lua te consegue ouvir e onde apenas minha imaginação te consegue tocar.


Real para ti, Fantasia para mim!



Filipe Almeida

Sempre, para sempre!




A letra da música dos Donna Maria " Sempre, para sempre", escrita por Miguel Majer, é uma das melhores caracterizações sobre a essência do Amor. ENJOY!

"Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

Há amor de certezas
Que não trará dor
Amor que afinal
É amor,
Sem amor

O amor é tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente

É acabar de maneira igual
E recomeçar
Um amor diferente
Sempre, para sempre
Para sempre"

Miguel Majer

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PERDER

Se olho pela janela é porque ainda consigo ver a cinética do mundo... olha ali, vês? A diversidade de expressões que cada pessoa carrega é a razão pela qual, sentes que não estás sozinho. A sociedade não te nega a partilha das tuas emoções, mesmo assim, achas que ninguém se preocupa e a dimensão do teu querer provoca desconfiança do teu, porquê.

Há coisas que nunca mudam e os interesses de quem te aborda, não são os mesmos, que a tua alma inocente desejava. Sentes que podias partilhar os teus momentos, mas manténs o teu esconderijo bem protegido, NÃO CONFIAS EM NINGUÉM! O teu constragimento é o desespero de quem está ao teu lado, concordas que estás a perder o controlo e a tua definição de felicidade torna-se numa discreta utopia.

É uma questão de oportunidades, sempre foi! Honestamente, quantas é que já perdeste? E porquê? Porque é que não dás uma oportunidade para alguém conhecer o teu mundo? para teres alguém com quem partilhar as tuas emoções? Vives nesse estigma, que um dia, que UM DIA.. voltas a confiar, voltas a dar uma chance, voltas a ter tudo de novo.

Tens a certeza que a vergonha, só serve para dar prazer aos outros e numa diplomacia cautelosa, sabes que ao longo do tempo, irás perder tudo o que amas...é assim que num desejo cru e em jeito de segredo, tu disses, QUERO PERDERRRR TAAAANNTOOOO!

Filipe Almeida

O jogo


Às vezes não sabemos o quão perto do fim estamos, inconscientes e loucos por actos impulsivos, corremos pela necessidade da adrenalina presente neste jogo, que é a VIDA.

Não temos super-poderes, nem vidas ilimitadas, mas temos o dom de fazer RESTART, sempre que perdemos. Com isso, tornaste criador de sonhos, que nem sempre são fáceis de alcançar.

É o sorriso leve, no fulgor do teu olhar, que mantém os sonhos presos, encarecidos pela plenitude do comodismo, TU preferes jogar.

Jogas a tua melhor carta, arriscas aquele sentimento, num lançamento de dados, suspiras por algo que… por favor, por favor, GANHA!!

Pretendes o mundo carregado de volúpia e jogas novamente,

Não tens receio de perder tudo numa só jogada de cara ou coroa, porque sabes que tens, a força de acreditar dentro de ti.

Não acreditas no acaso, não acreditas na sorte, acreditas em algo bem mais consistente, o DESTINO.

E…..

Não desistes, porque acreditas que a vida tem mais sentido se for feita de desafios. Já conseguiste chegar aqui, certo?

Tudo bem! Joga novamente……


Filipe Almeida
Foto: Ruben Vieira

quarta-feira, 7 de abril de 2010

E se...

Conquista,
Arrisca,
Luta,
Vence,
Grita,
Voa,
Sonha,
Concretiza,
Alcança,
Vive,
Acredita,
Brilha,


SUPERA-TE!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Fugir, fugir, FUGIR!!

(...) às vezes falas com o corpo, numa linguagem gestual própria, recrias uma amnésia temporária, onde consigo sentir o que desejas. Invades a minha mente com movimentos indolentes e persegues o meu silêncio. Gosto de ti!
Fingimos ser viajantes do tempo com passaporte vitalício, sombras do que devíamos ser, tornas os meus lábios num pecado apetecido. Hoje voltei a desejar-te, hoje voltámos à cidade do pecado, hoje a paixão não foi só química, hoje o teu convite singelo foi uma perdição vertiginosa.
Reparaste que hoje não quis fugir?

Hoje fico contigo.


Filipe Almeida

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Bruma

Imaginei que fosse diferente! Afinal também não sabes o que queres....
Aquele momento chega ao fim, perplexo num dos segundos do teu horário, vês o reflexo no vidro, que funciona como um bálsamo para a tua alma tépida. A tua história ainda agora começou, abjecta de erros cometidos, enfrentas a megalomania da vida. O teu olfacto não mente, estamos na Primavera.

Há muito mais para além das noites tranquilas, e tu continuas impassível, enquanto esperas pelo fim do dia; o que desejas agora? Já alguém te disse, que não consegues desenhar sozinha esse frágil vestido de cretone? Enquanto me subjugo à dávida do momento, prefiro continuar despido de preconceito, porque ao contrário de ti, não tenho nada a esconder.

Não procuro o perdão desmedido, procuro apenas sentir a complacência da tua felicidade.
Ufano, tenho o ritmo certo para partilhar a lágrima de qualquer instante acrimonioso e num desabafo audaz, perguntas:

- Se a bruma carrega o herói misterioso, porque é que anseio por dias soalheiros?

Misturo a presunção à irreflexão do teu prazer e respondo:

- Não vês, que tatuas o tempo perdido, no sorriso de algo que nunca será teu!


Filipe Almeida

terça-feira, 30 de março de 2010

Curtas V - a Física

Li algures,

"O facto de a velocidade da luz ser superior à velocidade do som é a razão pela qual muitas pessoas parecem brilhantes até abrirem a boca."

Pelos vistos a física consegue explicar quase tudo :)



Foto: Carlos Paes

domingo, 28 de março de 2010

Diz-me lá se não é...

...muito mais que isso....

Se a vida é o melhor dos professores, o amor é o seu estudante mais aplicado. Sentimos na paixão o estímulo e no desejo revemos o querer sem ambição. Temos também a desilusão, que continua a ser problema sem solução e a mentira a causa da sua indeterminação.

O equivalente, nunca foi igual.

Tens sempre os sinais que mudam o sentido, do que julgas ser o correcto.

Não desgosto do infinito, se... for verdadeiro.

E o facto de não saber o passo seguinte, faz com que procure alternativas. Não me acho incapaz e se tenho que voltar atrás, é para que no final, dê o resultado pretendido.

É então verdade,

Não há problemas impossíveis, há apenas problemas complexos, certo?

...professora.


Filipe Almeida

quarta-feira, 24 de março de 2010

Klepht - Tudo de Novo

Está para breve o novo Cd dos Klepht. Acho que é de louvar, todos os grupos portugueses que não se deixam tentar pela canções em inglês. Sonoridade muito boa e letras sempre carregadas de "vida".

Fica o novo single para "abrir o apetite".


quarta-feira, 17 de março de 2010

APELO - Criar um sorriso

Hoje enquanto caminhava, algo intimidou a minha mente, "O que nos faz sorrir?"

Começei a pensar e não consegui ter dedos suficientes, para contar a quantidade de acções que nos provocam o sorriso ou a alegria.
Será que as acções que me provocam sorriso, são iguais à pessoa com quem me cruzei agora?
Será que a acção que provocou o sorriso daquela pessoa, teria o mesmo efeito em mim?

Faço um APELO a que vou chamar, CRIA UM SORRISO!!!!

Sei que isto não vai ganhar fundos monetários para ajudar uma instituição, não vai tornar o nosso mundo melhor, mas pode ser que consiga provocar um sorriso, pode ser que consiga alegrar o teu dia por mais uns instantes.

Por isso, peço as pessoas que visitam o blog, deixem um comentário( mesmo que seja anónimo), um relato, uma frase, de algo que vos provoque um sorriso, para que com isso as pessoas que leiam os comentários consigam "viver" a situação e de uma forma indirecta, estarás a partilhar um sorriso =).

terça-feira, 16 de março de 2010

Um dia(I)


Um dia, aprendo a tocar viola!


- Espero voltar aqui num futuro próximo e dizer " HOJE FOI O DIA" :)
Foto: Mário Carvalho

segunda-feira, 15 de março de 2010

Fica bem

Acreditava que te dava tudo o que necessitavas, pensava que fazia tudo por ti, mas afinal o teu paraíso era a minha ilusão. Os ciúmes entre o sol e chuva, eram o retrato da tua ténue vitalidade. Foi a minha hipocrisia que nos uniu e que ao mesmo tempo, nos fez deambular por entre o ritmo do tic-tac...foi o meu início e o teu fim.

Talvez hoje mudasse alguma coisa, talvez hoje agisse tal e qual como agi, talvez...

Foi o meu toque insidioso? Foi o meu melodroma sentimental?Foi a ausência do meu amor?

Se não mexer no tempo, será que ainda esperavas por mim?

Foram tempos que passei e hoje, estás condenado a uma convalescença infinita só porque um dia, quiseste ficar com o peso da minha alma. Se já não fazes parte do presente, foi para que eu não me perdesse num momento, foi para que eu não desprezasse o tempo, foi para que eu acreditasse no vício de amar.

Sei que não voltas, para que te possa recordar.
Sabendo que o passado é teu e o futuro teu aprendiz, deixas a sensação de............

Esperar, NÃO é Perder!
(Fica bem)
Filipe Almeida
Foto: Filipe ALmeida

quarta-feira, 10 de março de 2010

Monólogo com o sono

As insónias nem sempre são motivo de desagrado, acredito que seja um período de reflexão para a alma.

(...)

Escuta....

-Não consegues ouvir o coração bater?

Xiuuuu...

- Ouves o meu respirar?

Suspiras...

- Sentes o carinho dos lençóis, na tua pele?

Pensas...

- Se fecho os olhos, porque não consigo dormir?

Voas...

- Hum, será?

Questionas...

- Será ansiedade de te voltar a ver?

"Derrotado"...

- Voltas a ser actor principal e cedes ao sono, com um quase sorriso....

(...)


Acredito também, que o sono é o nosso melhor advogado, ponderado, inteligente e astuto, num tribunal, onde a vida veste o papel de acusação.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Eu flutuo, tu flutuas, nós flutuamos!


Neste mundo afogo-me com o olhar impassível do conformismo. De cabeça para baixo, sou quem eu quiser e a corrente pela qual me deixo envolver é coreografia perfeita de uma retrospectiva emocional.
Num sufrágio coerente, ganho o poder de te abraçar, mas não me perco nas tuas profundezas, porque...ainda sei flutuar.
Emergir é um acto de esperança, que a censura provoca a todos os que seguem sem rumo e acreditam SEMPRE na leveza do flutuar.



Foto: Paulo Sousa

Filipe Almeida

Curtas IV

Após comer algo doce com as mãos,
gosto de lamber as pontas dos dedos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cada Coisa Em Seu Lugar

O copo de vinho tinto que seguro na mão é sinal do meu apreço ao tempo, as luzes têm um sorriso fusco, a lareira continua a devorar oxigénio e a música ambiente quebra a solidão de um estranho viajante.

A Lua olha-me com indiferença é assim que cria a tentação de ser observada e na companhia das estrelas, perde-se na condensação do vapor de água. Essa face misteriosa, faz de ti o esconderijo perfeito para os meus pensamentos, ouves as preces e os desabafos, brilhas por seres enorme!

Não tenho receio de construir castelos e assumo-me como engenheiro do meu próprio império. Imagino a beleza das vastas planícies douradas pelo trigo, imagino o rodopiar das pétalas e as árvores linearmente colocadas, que criam a miragem perfeita, reflectida no espelho fresco do rio.

Não é suposto estar aqui a divagar, o álcool é cúmplice da solidão e relembro a divícia deste momento.....

Olho-te e ainda te vejo a brilhar, aconchego-me na poltrona e encho o copo vazio,

És o meu lugar.

Filipe Almeida